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19 setembro 2017

Após explosões, população de Redenção precisa viajar para ter banco

Resultado de imagem para Fila BancoMoradores, comerciantes e produtores rurais da cidade de Redenção, distante 56 km de Fortaleza, cobram uma solução para a falta de agências bancárias na cidade. As agências que existem foram atacadas e destruídas por bandidos e até estão sem funcionamento.
Sem agência bancária na cidade, a população tem que viajar 30 quilômetros para conseguir atendimento nos municípios vizinhos de Aracoiaba e Guaiuba. Na cidade de Aracoiaba, muitos comerciantes e principalmente agricultores chegam em caminhões pau de arara para sacar dinheiro ou pagar as contas.
Segundo a aposentada Francisca Pereira Lima depois do ataque contra o banco tudo ficou mais difícil. “É muito difícil pra gente ir pra outra cidade. Muito longe. A gente vai pra lá e fica numa fila tão grande. Perde o dia inteiro. Chega em casa muito cansada. Muito difícil. Sem almoço, sem nada. E com medo ainda. Morta de medo. Meus meninos tudo com medo de assalto né”, reclama.
Mesmo antes das 7h30 já é possível observar as filas em um banco de Aracoiaba. Os moradores de Redenção vão para o fim da fila, que se estende por um quarteirão inteiro. Muitas pessoas saíram às quatro, cinco horas da madrugada de outras cidades e passam boa parte da manhã nas filas.
A agricultora, Maria de Fátima da Silva Braga, conta que saiu de casa em Redenção às 4 horas. Ela diz que precisa de dinheiro urgente para poder sustentar a família. “Eu cheguei aqui às quatro horas. Para poder pegar o dinheirinho mais cedo para poder fazer as coisas que precisa. No dia 6 de setembro eu vim receber meu dinheiro. Chegou aqui o rapaz falou que não tem dinheiro. Acabou o dinheiro. Isso às 9h30”, explica.
Outro que reclama da viagem é o aposentado João Paes Braga. Além do cansaço, não há certeza de que vai sacar o dinheiro. “De lá, pra vim é difícil. Aí tem que sair cedo desse jeito? Tem que sair cedo pra pegar um transporte que venha na frente. Chega aqui mesmo 5 horas. Aí fico esperando até 8 horas pra abrir o banco. Aí não tem uma garantia de ter o dinheiro ainda”, conta.
A agricultora, Raimunda Sabino da Silva, disse que muitas vezes retornou para casa sem dinheiro. É difícil chegar, e mais complicado conseguir o dinheiro. “Não recebemos dinheiro. Não tinha. Voltamos sem dinheiro. Não tinha chegado o dinheiro. Não tinha previsão pra tarde, aí voltou todo mundo sem dinheiro. Nós chega cinco horas da manhã, fica esperando por esse dinheiro. Hoje já estamos aqui de novo para ver se consigo receber esse dinheiro. Ainda sai tarde. Perde a manhã toda”.

Sem banco, sem vendas

Sem banco na cidade segundo os comerciantes de Redenção, o lucro caiu bastante, já que sem banco não há movimento de capital. De acordo com a vendedora, Irisneide Oliveira, o movimento era todo do pessoal que frequentava nas agências.
“O movimento todo era do pessoal que frequentava aí o banco, agora não tem mais como. O pessoal que vem que frequentava antes, vai pra Baturité, vai pra Água Verde, Guaiuba, esses cantos onde tem banco”, explica.
O comerciante Rafael Ângelo Almeida Mesquita disse que as vendas caíram 50%. “Caiu em 50% o movimento. Todo mundo tá indo pra Guaiuba, Pacatuba, Aracoiaba, Baturité. Aí o nosso movimento caiu né”.

Fonte: G1 CE

Após divulgação de ensaio fotográfico nu, miss sofre ataques racistas e presta queixa no Acre: 'cabelos de bucha'

Ediane Caetano, de 21 anos, foi fotografada aos 8 meses de gravidez (Foto: Assis Lima/Arquivo Pessoal)
Ediane Caetano, de 21 anos, foi fotografada
aos 8 meses de gravidez (Foto: Assis Lima/Arquivo Pessoal)
Após participar de um ensaio fotográfico nu, realizado no início deste mês, e divulgar o resultado nas redes sociais, a estudante e Miss Beleza Negra 2016, Ediane Caetano, de 21 anos, sofreu ataques racistas de internautas no Acre. As ofensas, feitas por meio de comentários na publicação da jovem, começaram pouco depois de o trabalho ser divulgado na mídia.
“Sou obrigado a achar negra dos cabelos de bucha uma lindeza!!”; “Que mulher horrível”. Essas foram algumas das frases pejorativas destinada a jovem em uma página no Facebook. Após saber das ofensas, a estudante registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e ingressou com uma ação cível contra o internauta.
Ela soube dos ataques somente no dia 11 deste mês, mas eles vinham sendo feitos em dias anteriores. Nas imagens, é possível ver que outros internautas defendem a miss.
“Recebi muitos comentários positivos, mas também vieram os negativos, quando fui hostilizada. Me agrediram de forma brutal. Nunca fui atrás de confusão com ninguém, jamais humilhei ninguém para conseguir o que quis. Fiquei chocada. Mesmo após 130 anos de abolição da escravatura, ainda existe gente com pensamento racista. É inadmissível lidar com essa intolerância no século XXI”, lamenta Ediane.
Internauta fez comentários preconceituosos contra a estudante no Facebook  (Foto: Reprodução/Facebook )
Internauta fez comentários preconceituosos contra a estudante no Facebook (Foto: Reprodução/Facebook )
A miss conta que recebeu apoio de diversas pessoas que condenaram os ataques racistas. Mas, mesmo assim, um dos internautas que desferiram as ofensas continuou com os insultos.
Mesmo advertido por outra pessoa de que estava praticando preconceito, o rapaz afirmou: “preconceito não, pós-conceito! É feia igual a você”. Ediane enfatiza que mesmo com a dignidade ferida, ela não deixou com que as agressões tirassem a coragem de enfrentar a situação constrangedora.
“Fiz esse ensaio para quebrar qualquer tipo de preconceito. Para que as pessoas se aceitem do jeito que são. Não vou baixar a cabeça, é por isso que existe preconceito hoje, porque as pessoas não lutam pelos seus direitos, mas vou lutar pelo meu. Como mulher, mãe e negra me senti ofendida, justamente pelo momento que estou passando [a gravidez]”, enfatiza a universitária.
Ediane conta ainda que ficou abalada com a situação que classifica como inadmissível. Ela lembra que o racismo ainda é recorrente na sociedade, mas que casos como o dela não são solucionados por falta de denúncia.
“Essa questão é pouco discutida, mas muito séria. Espero que se faça justiça. Não sei se, por meio da minha denúncia, vou mudar alguma coisa, mas vou confiar nas instituições”, finaliza.
Internautas chegaram a advertir homem sobre os comentários  (Foto: Reprodução/Facebook)
Internautas chegaram a advertir homem sobre os comentários (Foto: Reprodução/Facebook)

Fonte: G1

Juiz federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença

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A Justiça Federal do Distrito Federal liberou psicólogos a tratarem gays e lésbicas como doentes, podendo fazer terapias de “reversão sexual”, sem sofrerem qualquer tipo de censura por parte dos conselhos de classe. A decisão, do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, é liminar e acata parcialmente o pedido de uma ação popular. Esse tipo de tratamento é proibido desde 1999 por uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. O órgão disse que vai recorrer.
A ação popular foi assinada por um grupo de psicólogos defensores das terapias de reversão sexual. A decisão é de sexta-feira (15). Nela, Carvalho mantém a integralidade da resolução, mas determina que o conselho não proíba os profissionais de fazerem atendimento de reorientação sexual. Além disso, diz que os atendimentos têm caráter reservado.
Na resolução 01/1999, o conselho estabelece as normas de condutas dos psicólogos no tratamento de questões envolvendo orientação sexual. De acordo com a organização, ela trouxe impactos positivos no enfrentamento a preconceitos e proteção de direitos da população homossexual no país, “que apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia”.
Trecho de ata de audiência em que juiz liberou tratamento da homossexualidade como doença (Foto: Reprodução/Justiça Federal do DF)
Trecho de ata de audiência em que juiz liberou tratamento da homossexualidade como doença (Foto: Reprodução/Justiça Federal do DF)
Para o Conselho Federal de Psicologia, terapias de reversão sexual representam “uma violação dos direitos humanos e não têm qualquer embasamento científico”. Desde 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.
Ainda de acordo com o conselho, a resolução não cerceia a liberdade dos profissionais nem de pesquisas na área de sexualidade. O juiz mantém a resolução, mas determina que o Conselho Federal de Psicologia não impeça os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, e veta qualquer possibilidade de censura ou necessidade de licença prévia.
“O que está em jogo é o enfraquecimento da Resolução 01/99 pela disputa de sua interpretação, já que até agora outras tentativas de sustar a norma, inclusive por meio de lei federal, não obtiveram sucesso", afirma o conselho.
"O Judiciário se equivoca, neste caso, ao desconsiderar a diretriz ética que embasa a resolução, que é reconhecer como legítimas as orientações sexuais não heteronormativas, sem as criminalizar ou patologizar. A decisão do juiz, valendo-se dos manuais psiquiátricos, reintroduz a perspectiva patologizante, ferindo o cerne da Resolução 01/99.”

Ação popular

Uma das autoras da ação popular que questionava a resolução é a psicóloga Rozângela Alves Justino, que oferecia terapia para que gays e lésbicas deixassem de ser homossexuais. Ela foi punida em 2009 pela prática.
Na época, Rozângela disse ao G1 que considera a homossexualidade um distúrbio, provocado principalmente por abusos e traumas sofridos durante a infância. Ela afirmou ter "aliviado o sofrimento" de vários homossexuais.
“Estou me sentindo amordaçada e impedida de ajudar as pessoas que, voluntariamente, desejam largar a atração por pessoas do mesmo sexo", disse Rozângela na ocasião.

Poema-sentença

O mesmo juiz decidiu, no ano passado, abandonar as formalidades e usou a poesia para afastar a multa aplicada pelo Ibama a uma moradora de Brasília por manter uma arara-canindé em cativeiro sem autorização ambiental. Nos 77 versos, o magistrado descreve a história do processo, fundamenta a decisão, extingue a cobrança e ainda dá um "puxão de orelha" na Justiça.
Segundo a decisão, Elisabete Ramos dos Santos deveria pagar R$ 5 mil. Em depoimento, a acusada informou à Justiça que o pássaro pertencia ao irmão desde 1993 e foi herdado por ela após a morte do familiar.
Na sentença, o juiz da 14ª Vara Federal Waldemar Cláudio de Carvalho diz que a idosa tentou entregar a ave ao Zoológico de Brasília, após ouvir reclamações de vizinhos, mas não teve sucesso. A arara foi entregue à polícia. Meses depois, Elisabete recebeu a multa e recorreu à Justiça para anular a cobrança.
"Quanto recurso despendido: / salário, tempo, papel e atos demandados, / para movimentar o Judiciário / com mais essa demanda desnecessária", diz um trecho da sentença. Carvalho diz que a ave vivia solta na varanda e, por isso, não estava propriamente "em cativeiro".
Com a decisão, a multa foi extinta e o processo foi enviado para arquivamento.

Fonte: G1