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13 abril 2017

Depois de escoado, Tijuquinha volta a sangrar

Em 28 dias, o açude Tijuquinha saiu de 7,9% da capacidade para a sangria, na madrugada de ontem MATEUS DANTASO açude Tijuquinha, localizado em Baturité, voltou a sangrar na madrugada de ontem depois de ter sido esvaziado para desassoreamento. Em intervalo de 28 dias, o reservatório saiu dos 7,9% do volume total e atingiu a capacidade máxima novamente. A abertura das comportas — que secou o açude dois dias depois da cheia — preocupou a população. No entanto, a imagem de ontem, do reservatório cheio, devolveu o alento.
“Enquanto tiver água por aí a gente fica tranquilo. É a coisa mais linda do mundo ver esse açude cheio”, serena Maria Neuza Freitas, 57 anos. Quando o reservatório secou, a preocupação era de que as chuvas de abril não dessem conta de repor aquela vastidão d’água que dona Neuza acompanha da porta de casa.
“Dá pena de ver a água todinha se escorrendo. Você sabia que tinha gente que vinha para cá para pescar? Quando eles secam o açude, esses peixes vão pra onde?”, pergunta-se.

Tijuquinha

No dia 22 de março, O POVO noticiou o esvaziamento do açude
O açude, com capacidade de armazenar 881 mil m³, secou por ordem da Companhia de Gestão e Recursos Hídricos (Cogerh), após pedido da Prefeitura de Baturité. O órgão justificou que a água foi escoada para melhorar a qualidade. Parte dos moradores da comunidade não concordou com o ato.
De fato, quando o Tijuquinha sangrou pela primeira vez este ano, no dia 15 de março, era o mal cheiro que se destacava na área. Mas, para os moradores, a companhia deveria ter se antecipado para a chegada das chuvas. “O certo era tirar o mato todo antes das chuvas”, opinou o agricultor José Inácio Pereira.
Agora, mesmo com o açude cheio, o medo de desperdício continua. Isso porque as paredes do Tijuquinha têm aberturas que permitem o escoamento da água. Fendas nas madeiras que sustentam o sangradouro também deixam a água escapar. “Se parar de chover e essa água continuar vazando, fica pior. Num instante o açude seca”, diz Francisco Sales, 56.
Em nota, a Cogerh informou que o açude não deverá ser esvaziado novamente este ano para possíveis serviços na região. “Caso haja necessidade de serviço no açude Tijuquinha, só será feito quando o açude secar, depois da quadra chuvosa”, informou.
A companhia reiterou que o assoreamento no rio é intenso por ele estar localizado em região serrana, e a única maneira de dispensar a lama acumulada seria com a abertura das comportas. “O desassoreamento do Tijuquinha é feito todo ano. O custo mecânico para fazer o serviço é muito alto”, comunicou, reforçando que o reservatório tem recarga rápida, por ser considerado de baixa capacidade.

Saiba mais

Dicionário

Desassoreamento é o trabalho de remoção de areia, entulhos, pedras e outros materiais que se acumulam no fundo de rios, lagoas ou açudes. O serviço tem o objetivo de facilitar o fluxo e melhorar a qualidade da água.

Açudes

Além do Tijuquinhna, outros nove açudes cearenses estão sangrando. Ontem, o Gameleira, em Itapipoca, atingiu a capacidade máxima. Outros 18 continuam secos e 42, em volume morto. 

Fonte: O POVO