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26 junho 2017

MARACANAÚ - Vizinhos sentem medo e indignação após estupro coletivo

Comunidade, no bairro Timbó, vive medo e sensação de insegurança intensificados após o crime  MAURI MELOVizinhos do bar localizado no Conjunto Timbó, em Maracanaú (Região Metropolitana de Fortaleza), onde teria acontecido o espancamento e o estupro coletivo de uma mulher de 41 anos, vivem o medo e a sensação de insegurança, intensificados após a crueldade. A vizinhança está indignada porque o crime, no último sábado, 24, foi presenciado por várias pessoas, mas ninguém interveio. O ataque, cometido por pelo menos dois homens, teria começado ainda no banheiro do estabelecimento. O restante das agressões seguiu até as proximidades da avenida Adauto Lima.
Uma das vizinhas do bar socorreu a vítima. Sem se identificar, ela contou ontem ao O POVO que estava em casa quando foi chamada por dois homens. Ela diz que eles queriam abandonar a mulher na calçada da residência. A testemunha diz que comunidade conhece a vítima, que, mora no Jereissati, mas costuma ir ao Timbó. “Umas 5 horas, eu estava dormindo e vieram esses dois homens e disseram que ela estava quase morta. Fiquei com medo de serem marginais e não abri a porta, mas avisei ao meu ex-marido. Eles, então, pegaram ela e colocaram na outra porta (a do ex-marido). Jogaram ela lá”, diz. Depois disso, a dupla fugiu.
A família cuidou dela antes de a ambulância chegar. A mulher diz que a vítima, inicialmente, não conseguia falar. “Minha filha e outra menina que eu crio pegaram ela e a colocaram debaixo do chuveiro. A água virou sangue”, recorda-se a mulher. A vítima tinha muitas marcas de agressões no rosto, ela conta.
A testemunha diz que a mulher agredida é uma boa pessoa, que não tem inimizades no local. “Ela é educada. É mãe de três filhos adolescentes, uma das meninas foi mãe. Ela é querida”, comentou.
Outra mulher, que acompanhou a vítima na ambulância até o Hospital Municipal João Elísio de Holanda, no Centro de Maracanaú, conta que, depois do atendimento em Maracanaú, ela chegou a ser encaminhada ao Hospital da Mulher, em Fortaleza, para os procedimentos referentes à violência sexual. Conforme a mulher, a vítima continua internada deve passar por uma cirurgia no nariz e fazer implante, pois perdeu vários dentes com as agressões. O POVO não conseguiu confirmar em qual unidade está a vítima.

O bar

Moradores dizem que o bar em que a vítima foi agredida funciona quase ininterruptamente, 24 horas, com som que incomoda a todos. Uma moradora diz que, por diversas vezes, acionou a Polícia por causa da poluição sonora, mas o problema não é resolvido.
Outra vizinha comenta que na comunidade impera “a lei do silêncio”, com muita gente com medo de denunciar as irregularidades do bar. Ela reforça que o crime contra a mulher foi presenciado por várias pessoas, porque o bar estava lotado na madrugada do sábado, e nada foi feito. E afirma que, após a vítima ter sido retirada do local e socorrida na vizinhança, o bar continuou funcionando. O POVO foi até o bar ontem à tarde, mas o proprietário tinha ido embora ao perceber a presença da equipe de reportagem na comunidade.
No último sábado, 24, a funcionária que atendeu a vítima no hospital de Maracanaú disse ao O POVO que a vítima relatou que pelo menos dois homens praticaram a agressão. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que ainda não é possível afirmar que o caso se caracteriza como estupro coletivo. O crime está sendo investigado.

JÉSSIKA SISNANDO - O POVO

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