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16 maio 2017

Lei Chico Anysio determina o humor como bem cultural de natureza imaterial do Ceará

O governador do Estado Camilo Santana sancionou, na tarde desta segunda-feira, 15, a Lei Chico Anysio, que determina o “Ceará – Terra do Humor como bem cultural de natureza imaterial”. Ocorrida no Palácio da Abolição, a cerimônia contou com a presença de André Lucas, filho de humorista cearense, Geovana Cartaxo (superintendente do Iphan-CE) e vários outros nomes locais da humor, além de autoridades e prefeitos de algumas cidades do Interior, inclusive de Maranguape, terra-natal de Chico Anysio.
A lei 220/2015 é de autoria do deputado Bruno Pedrosa (PP), sendo elaborada a partir de conversas com o humorista Lailtinho Brega - que também preside a Associação dos Humoristas do Ceará -  que resultaram numa audiência pública, em junho de 2016, em que viu-se necessária a discussão de apoios e melhorias para os profissionais do riso. A Lei Chico Anysio foi votada e aprovada na Comissão de Cultura e Esportes da Assembleia Legislativa do Ceará.  
Para Lailtinho, o momento é, sobretudo, de rever os conceitos em relação à classe. “O humor precisa de uma renovação. Hoje em dia, para você ter uma ideia, o humor está em programas de TV, internet... Mas 70% do público é rotativo. Então, a importância dessa lei é que, a partir dela, venham mais projetos, workshops, escolas de humor, etc. Com isso, o humor passa a ser serviço, entende? Que a Secult o veja também como um elemento cultural, assim como a dança e o teatro”.
“Acho importante, porque é uma forma do Legislativo entender que a gente existe. Então o que precisa agora é que o governo, de alguma forma, absorva esses humoristas. É também uma forma de reconhecimento da nossa profissão”, resumiu o humorista Jáder Soares (Zebrinha), presidente da Associação dos Humoristas Cearenses, criada em 2008,  e responsável pelo Museu do Humor Cearense e o Teatro Chico Anysio, além de idealizador do Dia do Humorista, lembrado em 12 de abril (data de nascimento de Chico Anysio), em vigor desde 2003.
Fabiano dos Santos Piúba, titular da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), definiu a lei a partir de duas vertentes. “Tem uma que é a legal, institucional, que faz com que o humor seja uma expressão universal, com uma representação muito forte aqui. A segunda é prática, no sentido de que tenhamos uma atenção maior para o humor a partir da viabilização de políticas públicas para a área. Em 2016, já tivemos o Fórum Cearense do Humor, também tivemos a retomada de um Edital do Humor (inserido no Edital de Incentivo às Artes) e ainda teremos a volta do projeto Terça de Graça”, adiantou o secretário.
“Me sinto muito feliz em sancionar essa lei porque, agora, o Ceará é não só a Terra da Luz, mas também a Terra do Humor. O Ceará conseguiu construir personalidades que são referências em todo o País, como é o caso de Renato Aragão, Tom Cavalcante, etc. Então torna-se um marco importante na história do Ceará. É uma maneira de fortalecer e oficializar o humor não só a partir de editais, mas de implementá-lo nos bairros e nas praças”, afirmou Camilo Santana.
Um vídeo com a trajetória de Chico Anysio foi exibido antes da assinatura. “O humor vive até hoje por iniciativas como essa Lei, vive por conta de um Teatro Chico Anysio e de um Museu do Humor Cearense, que existem aqui. E, claro, é uma honra que leve o nome do meu pai”, explicou André Lucas. Para Bruno Pedrosa, autor da lei, “nós mesmos não nos reconhecíamos como Terra do Humor. Que a lei possa incentivar os humoristas a viverem disso e, consequentemente, o turismo possa ser cada vez mais incentivado”.      

TERESA MONTEIRO

Fonte: O POVO

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