Buscar

03 fevereiro 2017

A morte de dona Marisa e uma nova onda de ódio no Brasil

Marisa Letícia conheceu Lula em 1973 e acompanhou o petista em vários momentos de sua carreira política ROBERTO STUCKERT/INSTITUTO LULAA notícia de que o quadro de saúde da ex-primeira dama Marisa Letícia era irreversível provocou reações agressivas nas redes sociais. Ela sofreu acidente vascular cerebral (AVC) em 24 de janeiro e desde então estava internada. Enquanto a família agradecia mensagens de solidariedade e se preparava para doação de órgãos, internautas com perfis falsos e verdadeiros espalhavam ódio pelas mídias.
A maioria dos comentários em tom malicioso estava em notícias relacionadas à morte cerebral de Dona Marisa, companheira de 40 anos do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva. Para especialistas, a agressividade reflete o clima de polarização que se agrava no País desde 2014.
O antropólogo da ESPM, Carlos Frederico Lúcio, compara o momento político e as reações em torno da morte da também ex-primeira dama Ruth Cardoso, em 2008, mulher de Fernando Henrique Cardoso. Ele avalia que a repulsa contra Lula vai além de motivos políticos.
“As pessoas nem têm muito bem a imagem de quem foi a Marisa, eles veem o Lula. Isso não foi comentado em relação a Ruth, quando ela morreu. O governo FHC não foi um mar de rosas em termos de corrupção, mas não se fala disso na mídia. A morte do filho de (Geraldo) Alckmin também não gerou esse tipo de reação”, afirma.
Para ele, uma das provas de que os comentários levam em consideração mais que o horror pela corrupção é que na morte do ex-senador Antônio Carlos Magalhães não causou comentário no mesmo nível de acidez que se viu com Marisa. O político baiano teve vários escândalos ligados a seu nome ao longo da carreira.
Filósofo e professor de relações públicas da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Luis Fernando Viti, explica que a propagação do discurso de ódio é o lado assustador da Internet.
“A gente constata que a qualidade do debate ético do Brasil não é das melhores. O que podemos fazer são propostas de médio e longo prazo. Não sou a favor da censura. Mas casos extremos devem ser denunciados”, argumenta. Ele defende ainda que a educação, sobretudo em ciências humanas, poderá reduzir esse tipo de comportamento, incompatível com a “civilidade”.
Apesar de condenarem os ataque a Lula e a Marisa em momento de luto, os pesquisadores ressaltam também a propagação de mensagens positivas.

Outro lado

Rivais políticos, Lula e FHC prestaram solidariedade e fizeram visitas um ao outro no momento do falecimento de suas esposas. FHC esteve ontem no hospital sírio-libanês. O presidente Michel Temer também realizou visita para ver o ex-presidente petista.
Políticos como os senadores Ronaldo Caiado (DEM) e Aécio Neves (PSDB), que nunca pouparam críticas a Lula, também prestaram condolências. O fundador do site liberal e anti-petista Spotniks, Felippe Hermes, deu pêsames à família de Lula e lembrou que a avó também havia padecido após AVC, assim como Marisa.

SAIBA MAIS

A trajetória de Marisa

A ex-primeira dama Marisa Letícia nasceu em 1950, em São Bernardo do Campo, no Interior de São Paulo em uma família de 15 irmãos. Antes de se casar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa foi casada com o taxista Marcos Cláudio da Silva, com quem teve um filho. O primeiro marido foi assassinado. Marisa conheceu Lula em 1973. Ela foi a segunda mulher dele. Juntos, eles tiveram três filhos. Ela esteve ao lado do marido durante toda a carreira política dele, desde a presidência do sindicato dos metalúrgicos até a ascensão à Presidência. A primeira-dama enfrentou ao lado dele acusações de corrupção.

Partido dos Trabalhadores

Segundo o site oficial do PT, a primeira bandeira do partido foi confeccionada por Marisa. Apesar de sempre apoiar o marido nas empreitadas, a ex-primeira dama nunca assumiu papel de protagonista na política.

Fonte: O POVO

Nenhum comentário:

Postar um comentário