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12 janeiro 2017

Reforma no Governo Camilo divide poder entre secretários petista e tucano

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O governador Camilo Santana (PT) colocou fim a semanas de especulações e anunciou ontem quatro novos secretários de sua gestão. Mais do que marcar nova fase na administração estadual, mudanças também revelam uma cúpula do Ceará dividida entre perfis dos rivais PT e do PSDB. Indicações da cota pessoal do petista, por outro lado, deixam o governo.
Foram confirmados nomes do ex-vice governador Maia Júnior (Planejamento) e do ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jesualdo Farias (Cidades). O ex-deputado petista Nelson Martins, que comandava as Relações Institucionais, irá para a Casa Civil - a pasta anterior será extinta. Já Lúcio Ferreira Gomes migrará das Cidades para a Infraestrutura.
Maia Júnior acabou sendo indicação mais polêmica. Ele comandará pasta que ganha status de “supersecretaria” em época de cortes e concessões de órgãos públicos. Apesar de o convite não ter passado pelo PSDB, o empresário é filiado à sigla há duas décadas e já ocupou o mesmo cargo na gestão Lúcio Alcântara (ex-PSDB, hoje PR). Maia teria até escutado o senador Tasso Jereissati (PSDB) antes de aceitar o convite.
Se perfil tucano assumiu posição estratégica no governo, no aspecto político acabou prevalecendo o PT. Articulador do governo no parlamento, Nelson Martins irá para pasta por onde passam todas as questões do Estado.
Pela manhã, cúpula do PT Ceará demonstrou desconforto com a indicação de Maia Júnior. Nos bastidores, alguns petistas se queixavam de não terem sido ouvidos sobre a questão e o perfil “neoliberal” do empresário. Insatisfação, no entanto, reduziu com confirmação da ida de Nelson Martins para Casa Civil.
Liderança que não quis se pronunciar sobre o caso pela manhã, o deputado José Guimarães (PT) classificou indicação de Martins como de “forte simbolismo político”. “Não foi uma indicação só técnica. Mudanças não alteraram o padrão de sustentação política do governo, que continua sendo o PDT e o PT”, avalia.
Questionado se o perfil de Maia, tucano que conduziu profundos cortes na máquina estatal durante sua gestão na Seplag, não seria uma antítese do que defende o petismo, Guimarães rebate: “O governador continua sendo do PT, e quem dá a diretriz é o governador. O Lula mesmo teve o ministro Meirelles, mas era o Lula que dava a diretriz”.

Quem é quem

Maia Júnior (Planejamento) Indicação mais polêmica, Maia Júnior é filiado há mais de duas décadas ao PSDB. Quadro dos mais respeitados do tucanato cearense, ele foi vice-governador e secretário do Planejamento de Lúcio Alcântara (ex-PSDB, hoje PR). Indicação que teve aval de Tasso Jereissati, Maia Júnior teve sua “vasta experiência” destacada por Camilo.
Jesualdo Farias (Cidades) Ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi levado para a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) durante a gestão de Cid Gomes (PDT) na pasta. Foi também integrante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. É engenheiro mecânico e professor efetivo da Universidade Federal do Ceará.
Nelson Martins (Casa Civil) Até o início do ano, era secretário de Relações Institucionais, pasta que será extinta em nova reforma administrativa. Filiado ao PT, foi deputado estadual por três mandatos, onde se destacou após assumir liderança do governo Cid Gomes (PDT) na Assembleia Legislativa, e secretário do Desenvolvimento Agrário de Cid.
Lúcio Ferreira Gomes (Infraestrutura) Irmão de Cid, Ciro e Ivo Gomes, tem perfil mais “low profile” e menos afeito a polêmicas do que o dos demais Ferreira Gomes. Assumiu a Secretaria das Cidades após Ivo Gomes deixar o cargo. Foi chefe de Gabinete do governo Ciro e também secretário de Urbanismo e Obras da Prefeitura de Sobral, reduto político da família.

Fonte: O POVO

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