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09 novembro 2016

Após críticas, Camilo se reune com Michel Temer em Brasília

Um dia após responsabilizar o governo Michel Temer (PMDB) por um possível colapso hídrico na Região Metropolitana de Fortaleza, o governador Camilo Santana (PT) se reuniu ontem com o presidente em Brasília. Na pauta, alternativas para a retomada imediata das obras de Transposição do rio São Francisco, paralisadas há cinco meses no Estado.


No encontro, ficou acertada nova reunião, na noite de hoje, entre Camilo, o ministro Helder Barbalho (Integração Nacional) e Tribunal de Contas da União (TCU) para tratar do tema. Na segunda-feira, Camilo culpou o governo Temer por demora na obra, que seria “essencial” para garantir abastecimento da RMF.
Impasse em torno da transposição começou após a Mendes Júnior, empresa citada na Lava Jato e responsável pelo trecho do Ceará, vir à falência. Agora, o governo do Ceará defende que seja feita dispensa de licitação que possibilite retomada urgente do trecho. O governo federal, no entanto, já anunciou intenção de “relicitar” o eixo da obra no Estado.
“Não há tempo hábil para isso. Tem que se deixar os detalhes e diferenças políticas de lado, senão vai arrebentar o Ceará”, diz o deputado José Guimarães (PT). Segundo ele, não conclusão da obra até fevereiro já traria graves problemas ao Estado. Chefe de Gabinete de Camilo, Élcio Batista também destacou necessidade de se acelerar a ação.

O senador Eunício Oliveira (PMDB), por outro lado, reagiu à fala do governador, afirmando que ele tenta “terceirizar” culpa da má gestão de recursos hídricos do Estado. Amanhã, o peemedebista coordena reunião de prefeitos de municípios em estado de emergência com o ministro da Integração Nacional.
Coordenador da bancada do Ceará na Câmara dos Deputados, Zé Airton Cirilo (PT) diz que apenas uma mobilização “geral e urgente” pode evitar colapso no Estado.
Cobrando participação de todos, da Assembleia ao setor produtivo, ele questiona inclusive participação da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) na cobrança de recursos federais para a seca: “Cadê o Beto Studart (presidente da Fiec)? Ele tinha tanta coragem para enfrentar a Dilma, mas onde está ele agora?”, questiona o parlamentar.

“Estado falhou”
Presidente de comissão que acompanha a transposição, Raimundo Gomes de Matos (PSDB) defende a obra, mas afirma que governo do Ceará não pode transferir culpa da crise hídrica para Michel Temer. “Querer culpar o atual governo é apagar que os anteriores tiveram doze anos para fazer e não fizeram”.

“Durante esse tempo, houve muita corrupção, com a obra parada diversas vezes”, diz. Ele aponta que, apesar da importância da transposição, gestões deveriam ter desenvolvido alternativas. “Se viram que não ia sair, porque não buscaram outros métodos? Faltou planejamento sério e sobrou propaganda”.
Em nota, a Fiec rejeita omissão e diz que tem acompanhado a transposição e apoiado todos movimentos que buscam a chegada de água ao Ceará. “A falta de articulação da bancada dos deputados cearenses contribui para o agravamento da situação”.
Fonte: O POVO

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