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11 julho 2016

Eleições 2016. Os cuidados que faltam na hora de escolher o vice


Política

Assistida em 2016, a cena parece até surreal: lado a lado, Dilma Rousseff e Michel Temer, recém-eleitos, sobem juntos a rampa do Planalto. Das mãos de Lula, a petista recebe a faixa presidencial enquanto o vice, paciente, observa de longe. Os dois se aproximam e erguem os braços em gesto histórico, que pouco remete às farpas e acusações mútuas em que se tornou, hoje, a relação entre a presidente afastada e seu vice.

Princípio vivo do imaginário popular, a máxima de que “não existe inimigo mais temível que um ex-amigo” encontra paralelo fiel na política brasileira. Seja no Planalto, Ceará ou Fortaleza, a crônica do poder é rica em grandes adversários que surgiram de um vice. Em ano de eleição, o caso de Dilma e Temer é alerta para os cuidados – que deveriam existir – na hora de se arranjar colega de chapa.
“O vice (no Brasil) normalmente acaba tendo papel figurativo. Serve só para amarrar alianças para as eleições”, diz o cientista político Felipe Albuquerque, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Ele aponta que, com o vínculo frágil e a aproximação do vice ao poder, é natural o surgimento de rusgas por espaços entre aliados.

Tradição local
Em Fortaleza, a teoria já virou tradição. Desde 1986, quase todos os prefeitos que passaram pelo Palácio do Bispo romperam politicamente com os vices. “Eu tinha que apoiar o meu candidato, e o prefeito o dele. Aí não tinha outro jeito, veio o rompimento ”, diz o vice-prefeito da Capital, Gaudêncio Lucena (PMDB).

Eleitos em 2012 em clima de amizade inabalável, a “lua de mel” entre o peemedebista e o prefeito Roberto Cláudio (PDT) durou só até a eleição seguinte. Em 2014, o vice rompeu com o gestor para apoiar Eunício Oliveira (PMDB) ao governo – contrariando promessa de quebrar o histórico de rompimentos feita na campanha.

“O conflito é tão comum pela própria política de alianças feitas no Brasil. Alianças não ocorrem por convicções ideológicas, mas por interesses pragmáticos”, avalia a cientista política Nayara Macedo, doutoranda pela Universidade de Brasília. Ela afirma que o conflito poderia ser evitado com um vínculo político maior na coalizão.

Vice que rompeu com Luizianne Lins (PT), o hoje deputado Tin Gomes (PHS) aponta também responsabilidade dos gestores nos conflitos. “O prefeito deveria ter confiança e humildade para colocar o vice em uma função em que ele possa ajudar. O que ocorre é que muitas vezes ele se preocupa em que o vice apareça mais do que ele”.
Fonte: DN

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