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14 janeiro 2016

Simpósio na FMB discute inovações na política e mecanismos da democracia no terceiro dia de apresentações

Em seu terceiro dia de apresentações, o I Simpósio, idealizado pela Faculdade do Maciço de Baturité (FMB), através do acadêmico de direito Alysson Castro, está revolucionado a Região do Maciço de Baturité. Durante esta semana universitários, professores, políticos, lideranças e sociedade em geral, estão presenciando um verdadeiro e consciente debate sobre as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da região, bem como propostas e ações que podem ser pautas de forma clara e democrática.
Na noite desta quarta-feira, os temas abordados pelos palestrantes promoveram um amplo debate no tocante à democracia, a realidade política até então vivenciada, redes sociais, participação da juventude e da sociedade no amplo debate da escolha de seus representantes.
ALYSSON CASTRO - Abrindo a primeira apresentação de palestra o jovem Alysson Castro, acadêmico de direito, abordou o tema Inovação na Política através da Juventude: Conflitos e Soluções”, em seu discurso o futuro advogado, mostrou o quanto é importante a participação da juventude nos atuais conflitos e problemáticas vivenciadas no Brasil. Disse ainda que a saída às ruas da juventude, ocorrida em massa em todo o Brasil em junho de 2013, é o resultado de um processo que começou logo depois da virada do milênio, quando os jovens envolvidos com cultura começaram a ter voz e oportunidades, mas o diálogo com as políticas públicas começou a ser interrompido. O junho de 2013 foi à soma das insatisfações com essa falta de diálogo, começa um levante cultural e várias marchas crescem, como a o Motivo Passe Livre, Combate a Corrupção, começam a ocorrer intervenções poéticas, estéticas e urbanas por causa do descontentamento com as políticas descontinuadas na área da cultura, criando uma 'desamarra' em nosso país, avaliou.
Nos últimos anos, temos visto o real impacto das mídias sociais na esfera política. Se observarmos o uso da internet por parte de políticos e instituições públicas, e o poder de organização e mobilização demonstrado por aqueles que utilizam esses espaços da web para protestar e reivindicar direitos junto aos governantes, havendo uma mudança nas relações entre o povo e seus representantes. Porém, apesar de inteligentes, no Brasil, essas iniciativas – salvo raras exceções – são tudo o que não se deve fazer em social media: postagens estáticas, respostas padrão aos comentários postados, e, em suma, canais de pura propaganda, que pouco ou nada tem a ver com o caráter orgênico e autêntico que o público espera deles. A mesma camada populacional que protagonizou os protestos recentes, e de acordo com o que temos visto web afora, o nicho sócio cultural mais insatisfeito com a política e seus rumos atuais.
A busca de soluções não é apenas para a própria vida ou para os próprios problemas. Encontrar saídas para questões sociais motiva juventudes inovadoras”, finalizou Alysson Castro.
CÉLIO STUDART - Finalizando a rodada de palestras da noite, o advogado Célio Studart, abordou um tema bastante polêmico e vivenciado ainda de forma oculta dentro da sociedade, "O uso dos mecanismos de democracia direta e a realidade sociopolítica brasileira: Constituição Cidadã?”. Em seu relato inicial o advogado proferiu a importância da participação popular nas decisões a serem tomadas pelos governantes, a busca pela reflexão no que termo “DEMOCRACIA”, a realidade vivida pela sociedade brasileira, dessa forma, Célio Studart buscou de forma clara e bem objetiva tocar na consciência dos presentes qual o seu real papel dentro do processo sociopolítico do nosso país.
“...Os especialistas, os partidos teriam falhado no seu papel básico de intermediários entre a sociedade civil e o Estado. Aqueles que estão indo às ruas não têm demandas bem definidas, mas sabem que querem serviços públicos de qualidade e um sistema democrático capaz de oferecer maior participação popular na política – coisas que os partidos até agora não conseguiram proporcionar. Esse descontentamento também se dá em outros países.
No Brasil Império (1822-1889) tínhamos apenas dois partidos: o Liberal e o Conservador. Um queria menos poder do governo central e maiores direitos individuais, e o outro queria maior centralização desse poder e receava que as “reformas liberalizantes”, os novos direitos, trouxessem o caos ou ofendessem os “bons costumes”. Ambos só falavam nisso.
Em 1961, quando o presidente Jânio Quadros renunciou e o vice João Goulart assumiu, a sociedade brasileira também se dividiu novamente em uma “nova” discussão: uns com medo que o Jango instaurasse um regime comunista, abalando a “família” e “os bons costumes”, e outros acreditando que as reformas sociais prometidas por ele diminuiriam a desigualdade social e viveríamos o céu na terra. O golpe militar (1964) mostrou quem estava com a maioria.
Muitas décadas depois, o brasileiro repete as mesmas bandeiras, variando de acordo com a tendência de esquerda ou de direita que inventamos para rotular governos que, na realidade, são sempre muito parecidos. Não percebemos que em toda a nossa história a real diferença foi feita por aqueles que buscaram o aprimoramento de nossa democracia, a busca por direitos iguais para todos, o combate às práticas de improbidade administrativa e corrupção. Ou seja, aqueles que buscaram resolver problemas do presente ao invés de conjecturar o futuro que incomodaria a sua ideologia.
Se queremos mais Democracia direta, ou seja, o poder de escolher e tomar decisões políticas diretamente pelo povo, sem que tudo seja decidido unicamente pelos representantes políticos, precisamos nos conscientizar de algo que está passando despercebido: Não se tem poder sem participação. Queremos "o poder do povo" de forma direta, mas não temos participação direta em quase nada dentro da sociedade. Poucos participam de entidades sociais, poucos participam de projetos filantrópicos (no Brasil, a maior parte deles está cheia de fisiologismo) ou de Educação. Poucos se organizam com qualquer intuito social. Ou seja, a participação do brasileiro dentro da "pólis" é muito mais pra prejudicar, sujar ruas, sujar praias, fazer barbeiragens no trânsito, do que para contribuir com a organização e o zelo no que é de todos. Não se tem Democracia direta sem participação direta”, finalizou o advogado.

Os palestrantes tornaram o momento bastante esclarecedor, tirando as dúvidas dos participantes e interagindo de forma direta com os presentes, dessa forma a participação do público foi crucial para o total êxito do simpósio em sua terceira noite de apresentações.

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