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17 janeiro 2016

BATURITÉ - Tempos difíceis e a Síndrome Locked-in

Hard times, no original, é o título do livro do autor inglês Charles Dickens. Tempos difíceis é sua tradução para o português. A obra narra/denuncia as condições indignas a que eram submetidos os operários ingleses no período da Revolução Industrial. Quando de sua publicação, “chacoalhou” Londres, comumente se diz. Ampliou a possibilidade de discussão sobre o que a estreiteza do debate camuflava e pôs luz onde dantes o cinismo imperava, possibilitando avançar para uma realidade melhor e mais digna aos trabalhadores. Tal conquista também foi possível graças à obra Germinal de Émile Zola, desta vez na França. Fiquemos, contudo, com Tempos difíceis. É a significação dessas duas palavras unidas que necessitamos para compreender bem a conjuntura que está posta em Baturité. Sim,Tempos difíceis.
Alguns podem estar a se perguntar a razão pela qual não busquei dentre a literatura produzida em Baturité alguma obra que traduzisse com clareza o momento que atravessamos. Devolvo-lhes: Qual literatura? Que produção? O paradoxo maior: A Biblioteca Municipal de Baturité leva o nome de Menezes Pimentel, nascido em Santa Quitéria, militar cuja obra desconheço expressividade, talvez por ignorância minha; porém Franklin Távora, baturiteense, radicado no Rio de Janeiro, possui vasta obra de reconhecido valor literário, inclusive da Academia Brasileira de Letras, recebe em nossa cidade apenas indiferença. O mais absoluto silêncio. Baturité paga um alto preço pelos homens que forma.
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Os Tempos difíceis são resultante de escolhas ético-valorativas e administrativas realizadas no passado. Essas escolhas engendraram o que a literatura médica chama de Síndrome de “Locked-in”, ou Síndrome do Encarceramento, e eu adapto à realidade de Baturité. Quem desejar melhor compreender tal síndrome assista ao filme O escafandro e a borboleta. Mas o que seria essa Síndrome e o que ela teria a ver com Baturité? A definição mais fácil que encontrei vasculhando na internet foi na Wikipédia, que aqui transcrevo: “Síndrome do encarceramento é uma rara condição, onde os movimentos do corpo inteiro são paralisados com exceção dos olhos, mas as faculdades mentais se mantêm perfeitas”.
O que isso tem a ver com Baturité? Tudo! A Administração Pública está em “locked-in”, “encarcerada”, aprisionada dentro de si própria, dentro dos próprios equívocos administrativos que cometeu no passado. Sofre de paralisia. Está asfixiada. Não consegue se mover. Nada consegue se mover. E, embora isso, os anseios da população são enormes, os olhos e a mente associados podem até ver e desejar realizar algo; porém nada poderão fazer, pois faltam condições reais para tanto, pois estão aprisionados nas limitações impostas pelas questões orçamentárias. Os entraves orçamentários e fiscais, a lógica do compadrio, o patrimonialismo, o clientelismo, a ineficiência, a falta de perspectiva de longo prazo: são essas hoje as grandes razões do insucesso de Baturité.
Autor: Ítalo Holanda
Fotos: Internet

Fonte: TV Maciço

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