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04 fevereiro 2015

TCM divulga lista atualizada de municípios que não realizarão Carnaval neste ano


O Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) divulgou a relação atualizada de prefeituras cearenses que decidiram não aplicar recursos municipais para realização de festas de Carnaval. O trabalho inicial foi realizado entre os dias 19 e 23 de janeiro, com a fiscalização presencial em 47 municípios pré-selecionados.

Segundo o TCM, a ampliação dessa iniciativa vem sendo feita na medida em que outras administrações tomam decisões relacionadas ao patrocínio ou não de festas carnavalescas. Confira a baixo a lista atualizada dos municípios monitorados pelo TCM em relação a realização de gastos no período:

PREFEITURAS QUE DECIDIRAM PELA REALIZAÇÃO DAS FESTAS E OS VALORES QUE SERÃO GASTOS:


Aquiraz – 170.000,00
Aracati – 2.470.000,00
Barroquinha – 300.000,00
Camocim – 523.246,65
Cascavel – 302.629,65
Fortim – valor não definido
Granja – 440.900,00
Horizonte – 1.047.066,83
Icapuí – 327.638,57
Itaiçaba – 247.953,18
Ipu – valor não definido
Jaguaruana – 682.295,00
Pacoti – 123.666,77
Palhano – 141.523,00
Paracuru – 122.390,40
Quixeré – valor não definido
São Benedito – 806.339,96
São Gonçalo do Amarante – 397.685,00
Sobral - 126.666,67
Tianguá – 478.800,00


TOTAL: 8.708.801,68 (*)


Relação de municípios que decidiram não realizar Carnaval de rua este ano:


Acopiara
Aracoiaba
Barbalha
Baturité
Beberibe
Bela Cruz
Caucaia
Coreaú
Crato
Eusébio
Guaramiranga
Iguatu
Itarema
Jaguaribe
Juazeiro do Norte
Limoeiro do Norte
Mauriti
Massapê
Moraújo
Mulungu
Pacajus
Palmácia
Paraipaba


Russas
São Luis do Curu
Sobral
Trairi
Ubajara
Várzea Alegre
Viçosa do Ceará
Municípios indecisos:
Itapipoca

Maracanaú
Pindoretama


Municípios indefinidos:


Itapipoca
Maracanaú
Pindoretama


Fonte: Ceará News 7

Prefeitura de Aracoiaba entrega fardamento a alunos da Creche Nilo Alves de Oliveira

A Prefeitura de Aracoiaba, através da Secretaria de Educação e do Programa Brasil Carinho do Governo Federal, realizou, na manhã desta quarta-feira (04/02), a entrega do fardamento a alunos, da Creche Nilo Alves de Oliveira, que atende diariamente crianças com idades entre dois e seis anos.
A iniciativa do governo do prefeito Antônio Cláudio e do Secretário Emílio Freitas foi aprovada pelas mães dos alunos. De acordo com com o prefeito a entrega do fardamento é de muita importância, pois identificará os alunos e representará uma maior economia de roupas para os pais.
O secretário de Educação, participou da entrega do fardamento, e pontuou as ações do governo do prefeito Antônio Cláudio a fim de melhorar os serviços da Creche Nilo Alves de Oliveira bem como das escolas que fazem parte da rede municipal de ensino. “Nossa intenção é fazer muito mais, para ver nossas crianças bem assistidas”, ressaltou.
"Visamos melhorar cada vez mais a qualidade do ensino infantil com uma boa educação, hoje, estamos concluindo mais uma etapa, entregando novos fardamentos aos nossos alunos,”, destacou o Prefeito. Segundo Antônio Claudio todas as escolas municipais serão contempladas com este projeto.


Assessoria de Comunicação

Médico diz que lutador Anderson Silva está 'desapontado'

Márcio Tannure
Tannure ressaltou que conversou com Anderson na terça-feira (3), e afirmou acreditar que o lutador é inocente
FOTO: DIVULGAÇÃO
Médico da Comissão Atlética Brasileira do MMA, Márcio Tannure, disse nesta quarta-feira, 4, que o lutador Anderson Silva está "desapontado" por causa da acusação de doping. Tannure ressaltou que conversou com Anderson na terça, 3, e afirmou acreditar que o lutador é inocente. Segundo o UFC, o brasileiro testou positivo para o esteroide drostanolona.
"Ele está chateado e desapontado, porque ele me disse que não fez uso dessa substância e acho que é cedo para fazer qualquer julgamento", disse Tannure em entrevista para a rádio Band News. E o médico do MMA continuou: "ele vai pedir uma contraprova. Acredito que tenha sido um erro do laboratório. Ele acredita que possa ter tido uma contaminação. E disse mais Tannure: 'eu tenho um histórico exemplar na minha carreira e não gostaria que, por causa de algum erro, sujasse essa imagem'", afirmou.
Lutador somente se pronuncia quando se encerrar o processo
Ainda de acordo com Márcio Tannure, Anderson somente deve se pronunciar sobre o assunto quando o processo terminar. O teste foi realizado no período em que o lutador brasileiro treinava para a luta da madrugada do último domingo (1º) contra o norte-americano Nick Diaz, combate realizado na cidade de Las Vegas, e vencido pelo brasileiro.
Se o doping for confirmado, o resultado da luta pode ser anulado e nenhum dos dois será declarado vencedor. Anderson Silva passou ainda por outros dois testes antidoping, nos dias 19 e 31/01. Os resultados destes exames não foram divulgados pelo UFC. Caso o doping de Anderson seja confirmado, o atleta poderá sofrer sanções devido ao teste positivo. Entre essas punições aplicadas pelo UFC estão a suspensão e até banimento das lutas de MMA. Em casos como o de Anderson, a suspensão costuma ser de até um ano.
Fonte: DN

Tiririca assina contrato com a Band e é o novo contratado do "Pânico"

tiririca
O humorista retorna à TV depois de quatro anos
FOTO: DIVULGAÇÃO
O humorista e deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, será uma das principais novidades do "Pânico", na volta do programa na Band, confirmada para o próximo dia 22. Ele já assinou contrato e se dispôs a começar as gravações. 
Inicialmente, a sua participação será limitada a dois quadros, em fase de desenvolvimento. E uma cláusula importante é que o  Tirirca será 100% o humorista. O político não estará em cena em momento nenhum.
Os responsáveis pelo programa acreditam que a contratação provocará a sacudida que há muito tempo se pedia ao programa. "Para nós do Pânico é uma honra poder contar com o apoio e o talento do humorista mais carismático do Brasil! Será um sucesso, vamos unir dois fenômenos em um casamento só: Pânico e Tiririca!", declara o diretor Alan Rapp.
Tirirca está afastado de uma vida regular na TV desde 2011, quando o "Show do Tom", do Tom Cavalcante, saiu do do ar na Record. Depois disso, chegou a fazer algumas participações no "Programa da Tarde", mas se afastou completamente dele em maio de 2013.
Enquando isso, quem também assina renovação de contrato é o Tirulipa. O filho de Tiririca confirmou que acaba de fechar com a TV Globo por mais dois anos.
Fonte: DN

A igreja segundo o padre Moacir Cordeiro Leite

Padre Moacir mora hoje em uma casa que estava desocupada no assentamento Jardim, em Aratuba.
A trajetória religiosa do padre Moacir não é das mais comuns na igreja. Entrou já adulto no seminário, chegou a ser expulso por um tempo em virtude de suas ideias questionadoras e acabou sendo responsável por um movimento de trabalhadores rurais em Aratuba, que lhe rendeu a alcunha de padre problema. A luta, que gerou a desapropriação de três fazendas na época da ditadura, rendeu ainda a discórdia e ameaças de vida. Hoje, aos 77 anos, após se aposentar, o padre Moacir voltou a morar em Aratuba, só que em uma casa simples no assentamento Jardim, localizado em uma das fazendas desapropriadas. Nesse tempo, recusou convites para entrar na política, apesar de ter conduzido com os trabalhadores discussões sobre a melhor forma de criar um partido de massas.


O POVO - Padre, o que o senhor está fazendo hoje?
Moacir Cordeiro Leite - Eu vou começar do começo, certo. Depois eu lhe digo. Eu sempre fui ligado ao campo, Maranguape, Papara, distrito de Maranguape. Sempre gostei de criar. Criava porco e quando chegava no tempo de vender eu entregava a meu pai. Passava minhas férias lá. Eram dois meses de férias, dois meses descalço. Toda vida fui assim. Ai veio o problema da ligação católica, fui desenvolvendo muito, fui para o CPOR, fiz o vestibular para Engenharia e quando estava no CPOR, na faculdade, achei que não era aquilo não. Não era o que eu queria. Então fui experimentar o seminário.

OP - Com que idade padre?
M - Com 20 anos. 

OP - O senhor entrou já adulto.
M - Foi. Eu vi que o que estava fazendo não era o mais certo, mas pelo menos eu deixava dessa dúvida. Já tinha muita ligação com o pessoal da igreja e me sentia bem na ação católica, evangelizando, nos congressos universitários. Ai fui. Minha família não queria, mas eu decidi. Passei dois anos no seminário. Ali, nós queríamos uma coisa mais aberta: visitar uma favela, naquele tempo não se fazia isso. 

OP - E como foi a aceitação?
M - Não foi boa. No fim eles expulsaram seis.

OP - Por quê?
M - Porque estávamos inquietos lá dentro. E tinham uns professores que só faziam ler a matéria. Nós formamos um grupo que estudava antes a matéria e fazíamos perguntas. Queríamos na verdade adotar um outro sistema. Já fazíamos isso na ação católica e levamos para lá. Fomos expulsos.

OP - Quem eram esses seis?
M - Nesse tempo foi expulso o Teodoro (Deputado professor Teodoro e ex-reitor da UVA), o Manfredinho (padre Manfredo de Oliveira) e os outros eram de fora. E eu era tido como o principal agitador. Mas eram coisas simples que nós fazíamos. Era um jornalzinho, quando tinha as reuniões nós pedíamos para falar.

OP - Mas até então não havia nenhuma orientação partidária?
M - Não, não. Isso foi em 1959, 1960. Então fui expulso. Passei dois meses como expulso. Quando retomaram as aulas, o padre Zé Alberto Castelo conversou dom Antônio de Almeida Lustosa, o arcebispo, e disse que a causa pela qual estávamos lutando era justa. Ele me chamou (dom Lustosa) e disse que eu ia para Olinda. E o que poderia ser uma punição foi melhor. Lá eu encontrei vários conhecidos de ações católicas e ficamos lá. Os padres eram muito bons. Estavam nessa luta toda, era o período de Miguel Arraes, método Paulo Freire, o Ariano Suassuna era professor nosso. Era a fina flor. E como em Pernambucano tinha aeroporto internacional, todo padre de fora passava por lá, tinha debate com a gente.

OP - Mas quando dom Almeida lhe transferiu ele tinha conhecimento dessa efervescência por lá?
 M - Ele usou o exemplo de outro padre que ele havia mandado para fora do Ceará e que se ajeitou e foi um bom padre. Ele achava que isso iria acontecer comigo também. Mas eu acho que ele já sabia. Eu é que não, nem discuti nada. Nem que fosse um forno se abrindo eu ia. 

OP - O senhor então não sabia de nada de Pernambuco?
M - Não. Só que tinha alguns padres daqui. Padre Almeri, padre Sena. Cheguei lá eram 20 dioceses. Foi uma evolução grande.

OP - O senhor teve contato com dom Hélder (Câmara)?
M - Ele foi depois, chegou em 1964. Mas quando eu cheguei lá era o que eu sonhava. Quando chegamos lá, o diretor reuniu cento e tantos seminaristas e disse: ‘vamos planejar o que fazer. O que vocês querem de formação, como querem”. Tudo em grupo. Nem em sonho imaginava que ia acontecer isso. 

OP - Mas os que estavam lá tinham também essa visão mais avançada?
M - Tinham não. A metade sonhava, e a outra metade queria abertura, mas não sabia de que jeito. Lá tinha gente de todo jeito. Nós nos reuníamos em grupo e decidíamos tudo o que queríamos fazer. E apostolado. O que fazer, como íamos visitar. Mas a gente pediu tanta coisa, que ao final eles disseram: ‘sim, essa é a nossa parte, e a de vocês?’. Ai nós fomos formando equipes para fazer as tarefas. Quando foi no fim do ano, a gente fazia avaliação de três em três meses, e vimos que no final do ano não tínhamos feito nem a metade do que havíamos pedido. Fomos amadurecendo entre o real e o ideal. 

OP - Isso só dentro do seminário, até então não se havia extrapolado esses muros.
M - Sim, só dentro do seminário. Mas os debates não paravam. E nos domingos, devíamos só rezar ou ir para fora? Porque fora estava havendo uma grande efervescência, com o pessoal de Miguel Arraes. E eles tinham (diretores do seminário) tinham muita amizade com Arraes e com nós, que éramos cearenses. Isso foi amadurecendo entre nós. Estava na prisão de Arraes, na posse de dom Hélder, tudo serviu de aprendizado para nós. 

OP - E 1964?
M - Olhe, 64 foi um ano de alegria. Foi assim um negócio tão grande. Dom Hélder foi para lá depois do golpe. Ninguém podia falar nada. Na posse de dom Helder (maio de 1964), extrapolou tudo. Ninguém podia falar nada, e ele falou pela primeira vez. O povo batendo palmas, os militares fechando tudo para o povo não entrar, e isso para a gente foi extraordinário. Depois dom Hélder sempre ia lá. Até que chegou no meu último ano. E nós propomos que se nós íamos trabalhar com os pobres, porque no último ano não podíamos ir morar com os pobres? Ai o próprio reitor se chocou e eu quase ia expulso de novo. Ai um padre me disse assim: ‘rapaz, aqui é a igreja mais avançada do Brasil, a gente recebendo uma pressão enorme para fechar mais, se vocês estão querendo mais, é porque não cabem nessa estrutura. É melhor sair’. 

OP - Quem era?
M - Era dom Carlos. Ai eu disse: “tá certo, então eu vou”. Ai um padre disse: ‘rapaz, você se trate, aqui tem tudo à disposição de vocês, quando chegar o fim do ano você sai’. Ai um dia dom Marcelo Cavaleiro me chamou: ‘rapaz, a gente viu que sua prática pastoral é muito boa, sua fidelidade, seus votos etc, suas notas são boas, queremos que você continue”. Eu vim para as férias em Fortaleza e dom Delgado quis que eu não voltasse mais, que ele me ordenaria por aqui mesmo. Mas resolvi voltar para ajeitar um galho que se quebrou.

OP - E depois que terminou os estudos lá?
M - Eu voltei para cá e fui ordenado por dom Delgado. Mas como sempre participei dos movimentos por lá, fui fichado pela Polícia Federal. Quando eu estava por aqui a ficha chegou.

OP - E o retorno a Fortaleza?
M - Quando voltei, dom Delgado me disse que eu iria trabalhar com a juventude. Comecei por aqui e dois dias e meio por semana ia para o interior. Com o tempo, estava dois e meio por aqui e quatro no interior. Nesse tempo a diocese era grande, e eu ia a Crateus, Quixadá, Itapipoca, onde chamava eu ia. E entramos na política estudantil. 

OP - Como foi essa passagem?
M - Como tinha contato com os jovens, acabei mantendo relação com esse movimento. Ai foi outro grande aprendizado, as passeatas. Conseguimos uma declaração de dom Delgado apoiando os estudantes contra o governo. Mas nas minhas andanças pelo interior acontecia uma coisa interessante. Em todas as paróquias que eu ia, os padres sempre me deixavam tomando conta um, dois dias, sozinho.Arranjavam alguma coisa para fazer fora da cidade e eu ficava tomando conta. E quando fui a Aratuba, onde eu ia ficar quatro dias, o padre ficou comigo, fazendo tudo, sem ser para vigiar. Mas para continuar. E eu fui me ligando a Aratuba.

OP - Como é o nome do padre?
M - Padre Zé Maria. Um dia um agricultor me perguntou se eu tinha coragem de ir à casa dele. Era uns 14 quilômetros, nós fomos a pé, visitando as casas, até lá. Ai eu vi um submundo. Três crianças sem andar, de idades diferentes, receita de três meses, quatro meses, sem eles terem dinheiro para comprar remédio. Foi o meu primeiro mergulho verdadeiro na área rural. Ali foi o foco. Nós ficamos indo com mais frequência. Dom Delgado vendeu o Palácio do Bispo e fez a casa onde é hoje. E quando se mudou não chamou nem a mim, nem ao padre Geovani, nem o padre Delgado. Eu aproveitei, botei minhas coisinhas em cima de um caminhão e fui embora para Aratuba fazer meu trabalho. Ai começou a chegar queixa dos militares que eu e o Zé Maria estávamos fazendo agitação na serra. Dom Delgado então me propôs ir para o Canadá. Tinha muita agitação, e tal, Polícia Federal. Eu disse: ‘não, eu quero fazer pós-graduação lá na Aratuba, vou não”. 

OP - Para além dessas queixas, o senhor já tinha recebido ameaças?
M - Tinha, mas só por telefone. De que eu estava com os dias contados, porque não tinha ido para o Canadá. Mas o fato é que o trabalho ia crescendo. Por onde eu andava os pobres iam acompanhando. Eles diziam: ‘é porque a missa do senhor a gente entende’. Porque quando a gente ia para lá, passava o dia andando nas casas. Ai mudava a concepção das pessoas. Quando a gente ia pregar, dormia na casa das pessoas, almoçava em uma casa, jantava na outra.

OP - Mas qual era o discurso usado nessas missas?
M - A gente tinha vontade de saber se o evangelho era capaz de modificar a vida das pessoas, ou era preciso levar as coisas, cesta básica etc. A gente levava muito a ideia dos primeiros cristãos, da vida em comunidade. Ia refletindo com eles. Eu passei seis anos andando a pé pela região. Isso ia mudando a cabeça das pessoas e o nosso coração. No começo eles achavam que a gente ia tomar coalhada, se deitar no alpendre, não sei o quê, e a gente deixando. Quando deu fé os pobres começaram a subir. E começaram a procurar os padres para tratar sobre as questões de terra. Eles diziam: ‘rapaz, eu não gosto disso, não. Mas tem dois padres lá da serra que gostam dessas brigas, dessas confusões”. E a coisa foi crescendo. A gente ficava em casa, de repente chegava um, dois, três, doze a pé atrás da gente, e nós tínhamos que atender. O que é que podíamos fazer? Não podia deixar de atender. Foi quando descobrimos o doutor Pinheiro (Antônio Pinheiro de Freitas), que era advogado mas não exercia; às vezes vinha a Fortaleza e voltava para receitar o povo com remédio. Fomos nos irmanando. É tanto que a fazenda Monte Castelo, que era de um secretário do governo Virgílio Távora, a 120 quilômetros dali, nós fomos buscar. A fazenda do Antônio Câmara, presidente da Assembleia; do ex-prefeito José Walter, no Boqueirão, todas foram desapropriadas pela nossa luta.

OP - Mas nessa época chegou a haver ocupação?
M - Não. Não tinha MST, nem Pastoral da Terra. Eram os padres de Aratuba. 

OP - Mas tinham outros padres além do senhor e o padre Zé Maria?
M - Não. 

OP - Os padres subversivos eram só dois?
M - Infelizmente. Zé Maria sofria mais do que eu. Era mais emocionado. Chorava com aquela situação. 

OP - Mas que tipo de situação vocês vivenciaram, de forma mais objetiva?
M - Primeiro: o fazendeiro dava a meia do algodão. Não recebiam  nada para trabalhar, até o dia que tiravam o algodão. Metade. Todo o pasto era deles (fazendeiro). Botavam o gado antes de tirar o feijão e o milho. Quando o agricultor tirava alguma coisa da colheita, era obrigado a vender ao patrão, pelo preço que ele determinava. O patrão dava o preço e pagava quando queria. Os filhos desses agricultores hoje, não acreditam quando a gente conta isso. Um dia chegou uma família para nós toda inchada. Demos comida e uma semana depois eles desincharam. Eram inchados de fome. 

OP - Havia alguma tentativa de diálogo com o poder político ou esses fazendeiros?
M - Era muito difícil. 

OP - Mas não havia represália?
M - Não. Uma vez um soldado botou um revólver no pé do ouvido do Zé Maria mas não teve coragem. Diz ele que apertou o gatilho, mas não sabe o que aconteceu. Emperrou. Uma vez eu estava lá em Aratuba, ai chegou a Polícia, uns 10. Com metralhadora e tudo, entraram na casa, viraram, mexeram tudo...Outro dia mandaram fazer um treinamento antiguerrilha lá na praça. O Virgílio (Távora) através do meu irmão (Moslair Cordeiro Leite), se dava com ele, mandou me chamar. Era para propor comprar a fazenda Monte Castelo para eles irem para outro canto. Ai disse que tinha havido umas badernas lá para os lados de Caucaia. Eu tinha pregado lá, mas não tinha nada com isso. Ai ele me ameaçou também. E eu almocei na casa dele. Quando cheguei lá, a dona Luiza, ele, ofereceram o céu para o pessoal, mas com tanto que saíssem da fazenda. Ai ele falou: ‘Olhe, padre Moacir, qualquer coisa que aparecer em outro município que tenha o seu nome no meio em mando lhe prender". Tá certo.

OP – Mas o senhor chegou a ter atuação em outros municípios?
M – Teve. A gente começou a ser chamado. O boca-a-boca dos agricultores.

OP – Que tipo de outras atividades o senhor participou em outros municípios?
M – Para participar de assembleias, passar o dia com eles. Eu e umas irmãs canadenses. O Zé Maria depois foi para Roma. E tinha a Maria Amélia, ligada a causa dos índios.

OP – O senhor andou o Estado todo?
M – Quase todo. No Cariri eu não andei não. Iguatu, Itapipoca, Quixadá, Crateús. E também tem uma coisa. Na medida que ganhava dimensão essa luta, outros movimentos, sindicatos, por exemplo, nos chamavam. Eu ia. Ia com medo, porque sou medroso. Porque o meu problema, é que foi de justiça eu ia. O evangelho dizia, como é que o padre pode negar? A gente se baseava nisso, se Jesus Cristo tivesse aqui, ele ia ou não? Pelas leis da igreja a gente não podia ir. O monsenhor André Camurça dizia que os dois problemas da arquidiocese de Fortaleza eram Zé Maria e padre Moacir (risos). O que a gente podia dizer mais? Mas os bispos sempre tiveram com a gente. Dom Delgado dizia: ‘que coisa é essa de subversão?’. Dom Delgado, venha. Ele foi, nós descemos para uma comunidade lá nos Fernandes. Dormiu lá, depois foi lá no Jardim, e lá ele viu as pessoas contando as coisas. Começou logo o pessoal contando que os bodegueiros estavam proibido de vender fiado para os agricultores. Como é que iam comprar, se o patrão passava meses sem pagar? Queriam que saíssem da terra.

OP – Agora o senhor também esteve envolvido em uma polêmica com o bispo de Canindé dom Lucas Dole, quando ele chegou a sugerir que as coisas não podiam ser resolvidas na base da violência e o senhor discordou.
M – A gente estava em uma assembleia, ai ele disse que era preciso ter calma, cabeça fria. Ai eu disse: ‘pois eu venho aqui estagiar contigo”. Depois surgiu o problema da Japuara, que foi uma fazenda onde houve a morte de um agricultor dentro da casa. Destelharam a casa para matar o agricultor. E o Lucas foi lá. Quando foi depois, ele disse para mim: ‘rapaz, esses fazendeiros só vão na bala”. Ai eu: ‘não, Lucas, tu não disseste que era preciso ter calma? (risos).

OP – Pois eu refaço a pergunta, padre. Na sua concepção de evangelho, é possível lidar com essas situações sem usar a violência?
M – Engraçado. Nessas lutas que nós tivemos, teve uma morte lá na Califórnia, Quixadá. Foi dos gerentes. Agora o pessoal teve paciência demais. Mas não é preciso. Lá em  Monte Castelo, por exemplo, a desapropriação foi a primeira vez que o Estatuto da Terra, depois de 15 anos, ainda do tempo de Castelo Branco, que ele foi aplicado. O Jardim, o Monte Castelo e o Boqueirão. Foi uma luta grande, eu passava noites sem dormir, pensando para onde é que nós estávamos indo. Eu pensava: ‘se eu morrer, não tem problema. A questão é se nós saíssemos, seria peia no lombo dos agricultores, porque eles só tinham nós’. Ai começou o negócio a pipocar. Uma vez, um jovem na Faculdade de Direito, disse que toda ação jurídica requer uma ação política; e toda ação política precisava de uma jurídica. Isso me valeu, me vale ainda. Porque quando vejo que alguém quer só usar uma ou outra, se lasca. Isso a gente fez no Monte Castelo. Fez na prática. O jornalista Agostinho Gósson disse uma vez para mim: ‘Olhe, o processo de Monte Castelo está parado porque falta um fato político”. Ai o delegado sindical de lá recebeu uma ameaça de prisão e mandamos ele ir ao Assis Bezerra (secretário de Segurança Pública). E o Agostinho foi. Ele era do Jornal Meio Dia. Quando eles vão chegando o Agostinho bate uma foto. O secretário endoidou. Expulsou o Agostinho, expulsou o advogado, e o líder sindical. No outro dia o jornal estampou e pronto. Esse fato político encaminhou tudo. O negócio foi tão sério que a única vez que o Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Fortaleza fez uma reunião fora, foi lá em Aratuba. Depois fiquei sabendo que era porque eu tinha sido ameaçado de morte.

OP – E como foi essa ameaça?
M – Eu estava um dia aqui em Fortaleza e ia voltar para lá. Ai o Moslair foi avisado para eu não ir. Quando eu cheguei no outro dia fiquei sabendo que duas pessoas estiveram lá me procurando sem se identificar. Mas só foi isso.

OP – O senhor chegou a ser preso alguma vez?
M – Não. Nem nunca prestei depoimento. O padre Geraldino, de Crateús, foi preso uma vez, porque foi a um encontro que quem era para ir era eu. O Tito (frei), vivia aqui em casa.

OP – O senhor só foi padre em Aratuba e Cascavel?
M – Passei quatro anos em Fortaleza e 32 anos em Aratuba. Cheguei lá em 1970. Dom Aloísio dizia: ‘Moacir, não quero que você saia de Aratuba, não. Eu quero mandar todos os seminaristas estagiar em Aratuba”. Tenho umas cartas lindas dele. E ele não dizia para ninguém que mandava as pessoas para lá.

OP - Quantas pessoas foram?
M – Incontáveis. O primeiro foi o padre Almir, que é reitor do seminário.

OP – O que dom Aloísio conversava com o senhor sobre essa experiência?
M – Olhe, eu passei um tempo em Palmácia, e um dia, em um sábado, seis pessoas foram expulsas de três casas de uma fazenda. Como não tinham para onde ir, ficaram na casa paroquial. Eu liguei para dom Aloísio. Ele chegou no domingo lá, na casa paroquial, e depois fomos para a igreja. Tinham 600 pessoas. O Zé Maria ficou na igreja fazendo os cânticos e eu fui a delegacia. Chegando lá, não tinha nem ordem de expulsão, nem nada. Eu disse para dom Aloísio. E perguntei: ‘o que vamos fazer? Eu boto em votação?’. Ele disse, bote. Quase todos votaram para eles retornarem à fazenda. Saímos todos em procissão às nove da noite, com dom Aloísio na frente. Em cada fazenda deixávamos a família e ele fazia uma oração e uma benção. Chegamos na terceira fazenda às 15 para às três da madrugada. Eles tinham destelhado as casas e as pessoas recolocaram na hora as telhas. Uns três quilômetros de distância. No final ele confessou: “estou tão feliz”. Eu chegava em Fortaleza, e quando ele me via, dizia: ‘padre Moacir, entre, me traga notícias boas de Aratuba’. O monsenhor Portela: ‘não entrem, vocês matam o cardeal’. Eu respondia: “rapaz, vocês ai de Fortaleza não matam, imagine eu lá de Aratuba”. O Tasso, quando foi eleito, disse: ‘dom Aloísio, o que é que eu faço para estar com os pobres?’. Ele disse, procure o padre Moacir. “Converse com ele que ele sabe”.

OP – Ele lhe procurou?
M – Procurou. Mas queria que eu fosse prefeito. Ele disse: ‘o senhor faça um apanhado de todas necessidades do município de Aratuba que eu dou um jeito para o senhor transformar Aratuba em um município modelo’. Eu respondi: ‘Tasso, eu não sou filiado a nenhum partido e nem eu dou conta da paróquia’. Eu já tinha levado os candidatos lá na paróquia para conversar com o povo. Depois ele me procurou e pediu para conversar reservadamente no Palácio. Mas eu fui tentado outras vezes. O Gonzaga Mota, quando governador, telefonou para mim para ser candidato a senador, na vez que entrou o Cid Carvalho. Mas eu sempre apoiei a esquerda. O Iranildo Pereira e a Maria Luiza, de dois em dois meses, visitavam Aratuba. Eles tinham maioria lá em toda a eleição.
O POVO online 
Veja vídeo:

Leia cartas de dom Aloísio Lorscheider

Médica é raptada e estuprada em Sobral


Uma médica, que não teve a identidade revelada, foi estuprada e assaltada, após ser raptada em Sobral, município da Região Norte do Ceará. A vítima, de 30 anos, foi raptada na rua na Rua Eurípedes Ferreira Gomes, no bairro Pedrinhas, e depois abandonada na Zona Rural do município, próximo ao distrito de Frecheirinha.

Em depoimento à política, ela declarou ter sido abordada por um homem quando estacionava seu carro e forçada a entrar no veículo com ele. Durante o trajeto até o local onde foram realizados os abusos, outros dois comparsas se juntaram ao cúmplice. Após ser violentada, a médica foi deixada em uma estrada e o bando seguiu levando o automóvel e outros bens da vítima.

Até o momento, nenhum dos estupradores foi identificado e o veículo roubado pela quadrilha não foi encontrado. A polícia realizou diligências aos locais onde os crimes ocorreram e segue com as investigações.


Fonte: CN7

Danilo Forte pode ser eleito Líder do PMDB na Câmara


A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados elegerá na quarta-feira da próxima semana (11) o novo líder do partido, em substituição a Eduardo Cunha (RJ), que se tornou presidente da Casa. Em reunião realizada na manhã desta terça-feira (3), os deputados da legenda optaram por um rodízio anual na liderança. Para o líder ser reconduzido, o nome deverá ser aprovado por 2/3 da bancada.

“Os candidatos vão se inscrever até o fim do dia de hoje, para que eles possam fazer sua campanha e buscar os votos. Esperamos que, até lá, haja um consenso, mas para isso precisam todos se mostrar”, disse Eduardo Cunha, que também participou da reunião, realizada a portas fechadas.

Os parlamentares que devem concorrer à liderança são Manoel Junior (PB), Marcelo Castro (PI), Danilo Forte (CE), Lucio Vieira Lima (BA), José Priante (PA) e Leonardo Picciani (RJ). A bancada peemedebista do Rio Grande do Sul também deve lançar Osmar Serraglio ou Lelo Coimbra como candidato.

O pré-candidato Manoel Junior disse que a bancada deve buscar a unidade e que a postura do novo líder em relação ao governo deverá ser a mesma de Eduardo Cunha: “Não será com certeza de submissão, mas a de dar governabilidade a um governo do qual nós fazemos parte.”

* Com informações da Agência Câmara

Fonte: CN7

Volume de água no Estado reduz para 19,6%


O volume de água armazenado no Ceará diminui com o passar dos dias. Atualmente, o Estado concentra 19,6% de armazenamento d'água. Ao todo, 127 açudes estão com volume inferior a 30%.

Em relação a situação das regiões cearenses, os Sertões de Crateús apresentam apenas 0,4% de volume armazenado. O Alto Jaguaribe é a localidade que tem o maior nível de água acumulada até o momento, 38,9%.

Nesta terça-feira (3), até às 08h30, a Funceme registrou chuvas em 39 municípios cearenses. As maiores precipitações foram em Viçosa do Ceará (77,4 mm), Deputado Irapuan Pinheiro (52 mm) e em Ibiapina (50 mm).

A previsão para o restante do dia é de nebulosidade variável com possibilidade de chuvas ocasionais e a noite, céu parcialmente nublado.


Fonte: CN7

Cid Gomes discute questões técnicas e políticas com a bancada do PROS


O Ministro da Educação, Cid Gomes, se reúne hoje (3), às 20h, com a bancada do PROS na Liderança do partido na Câmara. É o primeiro encontro institucional do ministro com a sua bancada, que elegeu no último domingo o também cearense Domingos Neto como líder, substituindo o alagoano Givaldo Carimbão. Segundo Domingos Neto, o encontro tem um caráter de cortesia, “mas certamente assuntos técnicos e políticos estarão em pauta”.

O líder ressaltou que um dos papéis do partido na Câmara é o de dar suporte na relação política do ministério com os parlamentares nos grandes desafios da pasta, como a reforma do ensino médio, o novo Enem, a ampliação do número de vagas de universidades. “Sobretudo temos que avançar no ensino básico e infantil para garantir que a evasão que ocorre hoje no nível médio deixe de ser pela baixa qualidade”, afirmou.

Para assegurar recursos perenes para a educação, Domingos Neto destacou ainda que o PROS lutará pela regulamentação do fundo social do pré-sal. “Em 2014, por exemplo, existia a expectativa de se chegar a R$ 20 bilhões do fundo do pré-sal para o setor, mas foi repassado R$ 1 bilhão”, comparou. O encontro do ministro Cid Gomes com a bancada ocorrerá na sala 179, Ala B, Anexo II da Câmara dos Deputados.

* Com informações do PROS

Fonte: CN7

CSN confirma Ciro Gomes no comando da Ferrovia Transnordestina


A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) confirmou nesta terça-feira, 3, que o ex-ministro da Integração Nacional do primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) Ciro Gomes (PROS) começou a trabalhar hoje na empresa. De acordo com a companhia, Gomes ocupa o cargo de "diretor da CSN responsável pela Transnordestina", subsidiária responsável por obras da ferrovia no Nordeste.

Mais emCiro terá comando da Transnordestina por silêncio sobre fim da refinaria no Ceará

Ciro Gomes será o número um na hierarquia da Transnordestina, acima do diretor-presidente interino, Ricardo Fernandes, que assumiu o cargo em janeiro de 2014, após Angelo Baptista renunciar ao posto. A empresa não informou detalhes da contratação, como o tempo de vigência do contrato e o salário. Gomes está trabalhando no prédio da CSN na Avenida Faria Lima, na capital paulista.

Desafios
Ciro terá como principal desafio a conclusão da ferrovia Transnordestina, obra orçada em R$ 7,5 bilhões que deveria ter sido entregue em 2010, mas, após sucessivos problemas e paralisações, está prevista para ser concluída até o final de 2016. A ferrovia foi lançada em 2006 como um dos mais importantes projetos do ex-presidente Lula e incluída no PAC-2, no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

* Com informações da Agência Estado

Fonte: CN7

Graça Foster recebe carta de demissão da Presidência da Petrobras



Graça Foster será substituída no cargo de presidente da Petrobras. O Palácio do Planalto já informou a atual chefe da petrolífera sobre a decisão. A presidente Dilma Rousseff convenceu-se nos últimos dias que a manutenção de Graça era insustentável e prejudicial à estatal. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Enquanto conseguiu, Dilma segurou Graça, que é sua amiga pessoal, no cargo. A divulgação de que a Petrobras deveria baixar seus ativos em R$ 88 bilhões por conta da corrupção e da ineficiência de planejamento, feita na semana passada, foi decisivas para a escolha.

De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, está pessoalmente tratando da escolha da próxima pessoa que ocupará o cargo. Ele esteve em São Paulo onde fez as primeiras sondagens para escolher o novo presidente da Petrobras.

Em um curto período de tempo, a estatal brasileira perdeu quase 75% de seu valor de mercado devido à política de investimentos utilizada e, principalmente, com a evolução da Operação Lava Jato, que deflagrou esquema de corrupção na estatal.

* Com informações da Folha de S. Paulo.

Fonte: CN7

Camilo Santana se reúne com Cid Gomes em Brasília


O governador Camilo Santana (PT), em viagem oficial a Brasília, esteve reunido com o ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), ex-governador do Ceará, na manhã desta terça-feira (03). Também participam da audiência a vice-governadora Izolda Cela (PROS) e os secretários Danilo Serpa (Relações Institucionais) e Maurício Holanda (Educação), além do presidente do FNDE, Idilvan Alencar, recém-empossado.

De acordo com a assessoria do governador, a pauta do encontro foi restrita apenas ao debate dos convênios realizados entre MEC e o Governo do Estado. A crise institucional criada após a divulgação do cancelamento dos investimentos da Petrobras na Refinaria Premium II, que seria instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, não foi abordada na discussão. Pelo menos, não oficialmente.

No início da tarde, Camilo Santana seguiu a programação de articulações no Distrito Federal chegando ao Gabinete do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. Também foram recebidos os secretários Danilo Serpa (Relações Institucionais) e Francisco Teixeira (Recursos Hídricos), que antecedeu Occhi no final do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

A situação de calamidade causada pela estiagem que atinge o Ceará nos últimos anos foi o tema principal da reunião, onde o governador apresentou a necessidade do avanço nas parcerias com o Governo Federal para a execução das ações emergenciais e também estruturantes destinadas à convivência com a seca no Estado.


Camilo ainda esteve com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, acompanhado do secretário Carlile Lavor (Saúde). Na mesa de negociações foram colocados os projetos para a construção de UPAs e policlínicas e a criação de novos leitos em todo o Estado, onde a crise por vagas em UTIs cresce exponencialmente.

PROGRAMAÇÃO OFICIAL
Nesta quarta-feira (04), o governado do Ceará segue em Brasília e tem agenda de reuniões com o  o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com a diretora do Banco Mundial para o Brasil, Deborah Wetzel,e a representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Daniela Carrera Marquis. 


Fonte: CN7

Eleição no Senado é adiada de novo

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Com o impasse, só o presidente Renan Calheiros foi escolhido, o que impede que o Senado realize votações ou que as comissões trabalhem
FOTO: AGÊNCIA BRASIL
Brasília A disputa por cargos no comando do Senado provocou uma briga interna entre senadores do PSDB e expôs um racha entre os tucanos e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O impasse travou a escolha dos integrantes da Mesa Diretora do Senado, que ocuparão os cargos de chefia da Casa nos próximos dois anos.
Sem o apoio do PSDB na eleição para a presidência do Senado, Renan indicou para a primeira-secretaria a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO). Os tucanos apoiam o nome de Paulo Bauer (SC) para a vaga, estratégica por ser uma espécie de "prefeitura" da instituição. Cabe ao primeiro-secretário resolver questões administrativas, assim como manejar os principais cargos da Casa.
Por ser a terceira maior bancada, o PSDB tem direito a indicar o titular da secretaria. Os tucanos afirmam que Renan desautorizou a cúpula do partido ao indicar Lúcia Vânia.
Acusam ainda a colega, nos bastidores, de ter apoiado a reeleição do presidente do Senado e, por isso, estar recebendo a vaga na Mesa Diretora em troca. Lúcia Vânia não foi encontrada para falar sobre o assunto. Após ser pressionada pela cúpula tucana, a senadora abriu mão do cargo em favor de Bauer. O PSDB apoiou Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), rival de Renan, para a presidência do Senado.
Em um recado a Renan, Aécio Neves (PSDB-MG) disse que recomendou a Bauer agir na Mesa Diretora em defesa da "independência" da instituição. "Espero que o senador Renan seja mais presidente do Senado e menos aliado do Planalto", atacou.
Com o impasse, só o presidente foi escolhido, o que impede que o Senado realize votações ou que as comissões trabalhem.
Fonte: DN

Guimarães é novo líder do governo na Câmara

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Sob pressão do campo majoritário do PT e ciente que o quadro de isolamento de seus aliados no Legislativo era crítico, o governo fez a substituição
FOTO: AG. CÂMARA
Brasília A derrota do Palácio do Planalto na eleição, ainda em primeiro turno, de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara causou ontem a primeira baixa na articulação política do governo.
Sob pressão do campo majoritário do PT e ciente que o quadro de isolamento de seus aliados no Legislativo era crítico, à presidente Dilma Rousseff substituiu o deputado Henrique Fontana (PT-RS) da liderança do governo na Câmara e escalou para o posto o também petista José Guimarães (CE).
A avaliação no Planalto é de que a situação de Fontana não tinha como permanecer no cargo, uma vez que ele fora barrado pelo próprio Cunha.
Durante a campanha, o peemedebista chamou o petista de "fraco" e "desagregador" e anunciou que nem ele nem o PMDB o reconhecia mais como interlocutor do governo.
Mais pragmático e do campo majoritário do PT, o mesmo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Guimarães foi escalado para tentar uma reaproximação com Cunha, considerado um desafeto de Dilma. Na manhã de ontem, ele procurou o novo presidente em seu gabinete e, logo após ser confirmado na liderança, teve uma nova reunião com ele. Reconhecendo que o PT foi "derrotado" na eleição, Guimarães disse que vai trabalhar para "recompor as pontes" e a base. "Para mim a eleição da Câmara é uma página virada", disse.
Ele também negou que Cunha esteja sinalizando com uma pauta de "oposição" ao colocar como prioridades temas rejeitados pelo PT, como uma proposta de reforma política que não elimina o financiamento empresarial e o chamado Orçamento Impositivo. "O presidente Eduardo Cunha fez sinalizações muito positivas sobre o seu papel. Ele disse que a partir de agora é presidente do Parlamento e que a relação do PMDB com o governo é o PMDB que trata", afirmou.
Já no dia seguinte à vitória de Cunha a bancada do PT deflagrou um movimento para pedir uma reformulação total da articulação política do governo.
Reforma política
Na inauguração dos trabalhos legislativos de 2015, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 352/13 sobre reforma política. A matéria deverá ser analisada por comissão especial a ser criada. A PEC foi elaborada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Reforma Política, coordenado pelo ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) no ano passado.
Ela prevê o voto facultativo, o fim da reeleição para presidente, governador e prefeitos e a coincidência das datas das eleições a cada quatro anos.
Pedido de CPI
O líder da Minoria, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), disse que a oposição protocolou na noite de ontem o pedido de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara para investigar a Petrobras. Segundo ele, foram coletadas 186 assinaturas - são necessárias 171.
Comércio eletrônico
O Plenário aprovou, em segundo turno, também ontem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 197/12, do Senado, que fixa novas regras para incidência do ICMS nas vendas de produtos pela web ou por telefone. Foram 388 votos a favor da proposta.
Fonte: DN

Aneel quer cobrança da tarifa extra já em março

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Além do sistema de bandeiras tarifárias, que entrou em vigor em 1º de janeiro e já faz o consumidor pagar tarifas diferenciadas todo mês, haverá também a implementação da tarifa extra (em março) e a ordinária (em abril)
FOTO: ALEX COSTA
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Para o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, os aumentos foram "um ponto fora da curva"
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No ano passado, as distribuidoras de energia do País não pagaram nenhuma parcela do empréstimo realizado
FOTO: KID JUNIOR
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Segundo a agência, a atual situação tem potencial de afetar a qualidade de crédito das distribuidoras e geradoras de energia hidrelétrica
FOTO: CID BARBOSA
Brasília/Fortaleza. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende abrir duas audiências públicas neste mês, que refletirão em aumentos de preços para os consumidores até março. Os processos tratarão dos reajustes extraordinários de todas as distribuidoras de energia elétrica, incluindo a Companhia Energética do Ceará (Coelce), e também da alta do valor das bandeiras tarifárias. O primeiro caso é específico para o repasse da conta de 2015 do setor elétrico para o consumidor.
Segundo a Aneel, "a Coelce terá revisão tarifária periódica com processo de audiência pública a ser aberto até a próxima reunião ordinária (ou, antes disso, em reunião extraordinária)". Ainda conforme a agência reguladora, apenas quando a audiência ocorrer é que os índices do reajuste serão conhecidos. A própria Coelce afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que aguarda as definições da Aneel para se manifestar sobre a alta.
Em meados de janeiro deste ano, o Diário do Nordeste informou que os cearenses terão que arcar com um total de três reajustes na conta de luz em 2015, tendo em vista que, além do sistema de bandeiras tarifárias, que entrou em vigor em 1º de janeiro e já faz o consumidor pagar tarifas diferenciadas todo mês, haverá também a implementação da tarifa extra (em março) e a ordinária (em abril). Sem ajuda do Tesouro, as tarifas terão de cobrir todas as despesas do ano ao fundo do setor elétrico, a CDE.
Ontem, a Aneel fixou em R$ 21,8 bilhões a parte do gasto que recairá sobre a tarifa dos consumidores. "Quem define se haverá recurso do Tesouro (para pagamento da CDE) é o Tesouro. Cabe a agência calcular todos os recursos e fixar a cota para custear os gastos", disse o diretor-geral da agência, Romeu Rufino.
Diante da dificuldade de caixa das distribuidoras, a Aneel deve aprovar o repasse na forma de reajuste extraordinário das tarifas para todas as empresas, inclusive as que tiveram reajustes aprovados ontem. O percentual específico para cada empresa será tratado na audiência pública e deve valer já nas contas de luz a partir de março.
Bandeiras
Sobre a mudança nas bandeiras tarifárias, o diretor da reguladora, Romeu Rufino, explicou que, com os preços atuais, ainda não se consegue atingir o chamado "realismo tarifário".
O motivo seria que os valores vigentes, de R$ 1,50 ou R$ 3 a cada 100 kWh, não contemplam outros gastos extraordinários, como a compra extra de energia ou risco hidrológico (capacidade prevista para entrega de energia das usinas, mas não entregue). "Parte do que seria tratado no processo tarifário normal é deslocado para bandeira tarifária. Isso dá sinal de preço, da variação do preço da energia para o consumidor", explicou.
Garantia de alta
Sem dizer qual pode ser o novo valor das bandeiras, Romeu indicou apenas que deve haver um aumento.
A agência programa ainda uma campanha explicativa, que será de responsabilidade das distribuidoras de energia, para explicar melhor aos consumidores como funcionam as bandeiras tarifárias e como eles podem se programar para manter seus gastos dentro do patamar desejado, informou ontem a Aneel.
6 empresas com alta de até 45,7%
Brasília. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse na tarde de ontem que os reajustes tarifários concedidos pelo órgão a seis distribuidoras podem ser alterados caso o governo consiga renegociar com o pool de bancos as condições do empréstimos dados ao setor ao longo do ano passado.
"Caso mudem as condições de empréstimo, mudaremos reajuste que foi concedido hoje (ontem). Não faz sentido ter uma condição para algumas empresas e não para outras. Se os parâmetros do contrato de empréstimos forem modificados, essas alterações podem entrar na revisão extraordinária da companhias", detalhou.
Ainda assim, Rufino disse que o sucesso da renegociação dos empréstimos que somaram R$ 17,8 bilhões em 2014 depende das instituições financeiras. O objetivo do governo é alongar o prazo para o pagamento desses valores via contas de luz e diluir os juros desses financiamentos.
Acordo com bancos
"É um contrato que só muda se os bancos concordarem. O assunto está sendo discutido pelo Ministério da Fazenda, bem como um novo empréstimo da ordem de R$ 2,6 bilhões para cobrir despesas de novembro e dezembro do ano passado", disse.
O reajuste autorizado para a paraibana Energisa Borborema e as paulistas CPFL Jaguari, CPFL Leste Paulista, CPFL Mococa, CPFL Santa Cruz e CPFL Sul Paulista já considera o pagamento da primeira parcela do empréstimo feito às distribuidoras para a compra de energia no mercado à vista no ano passado, que chegou aos R$ 17,8 bilhões já contratados junto aos bancos.
Os aumentos aplicados às residências variam de 21,25% a 39,49%. Na média, incluindo todos os tipos de consumidores, como residências, industriais e comércios, o aumento será de 45,7%. O maior ajuste aprovado foi para a empresa CPFL Jaguari, que atende 38,4 mil unidades consumidoras. Os novos valores começaram a valer imediatamente. Caso o prazo e os juros desse empréstimo mudem, o efeito tarifário também mudará.
"Não é tendência"
Segundo Rufino, o percentual elevado não indica uma tendência. "É um ponto fora da curva em relação aos outros", disse. "Não é linear fazer comparação entre reajustes, porque a tarifa dessa empresa segue ainda abaixo de todas as demais empresas com características semelhantes", acrescentou o diretor.
Conforme ele, esse aumento refletiu, em grande parte, o pagamento dos empréstimos tomados pelas distribuidoras no ano passado. Como a tarifa da empresa é menor que as demais (e o aumento para cobrir empréstimos é linear) foi necessário aplicar um percentual maior de reajuste para conseguir recolher o valor adicional.
Com rombo de R$ 25,9 bi, reajuste no NE vai até 3,89%
Brasília. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou ontem (3) a abertura de uma audiência pública para aprovar os valores previstos para gastos do setor elétrico neste ano. Estimado em R$ 25,9 bilhões, esse montante deve representar um aumento extraordinário de 3,89% para consumidores de energia no Norte e Nordeste e de 19,97% para o Sudeste e demais regiões do País.
De acordo com dados divulgados pela reguladora, o orçamento anual do setor elétrico conta com R$ 2,75 bilhões de receitas ordinárias. Soma-se a isso R$ 1,4 bilhão que será devolvido pelas distribuidoras de energia. Essa devolução se refere a parte do empréstimo feito pelo Tesouro Nacional, ainda em 2013, para cobrir gastos extras das distribuidoras de energia com uso intensivo de usinas térmicas.
Esse empréstimo somava quase R$ 10 bilhões, mas pelas próprias regras impostas pelo governo à época, as empresas poderiam devolver o montante ao longo de cinco anos a partir do ano passado. O Tesouro acabou abrindo mão desse valor, permitindo que o fundo do setor elétrico, a conta CDE, pudesse fazer o recolhimento.
Na prática, a decisão acabou por fazer com que a conta de energia subisse menos neste ano. Em 2014 as distribuidoras de energia não pagaram nenhuma parcela desse empréstimo. O motivo é que as empresas já enfrentavam dificuldades por causa dos altos custos para compra de energia, que acabaram levando a necessidade de novos empréstimos, desta vez com bancos públicos e privados. Assim, descontadas as entradas previstas para 2015, a conta do setor elétrico que deve recair sobre o consumidor é de R$ 21,8 bilhões.
Impacto
Após chegar a esse valor, a agência reguladora definiu impacto de 3,89% para consumidores de energia no Norte e Nordeste e de 19,97% para o Sudeste e demais regiões, sem explicar os motivos que levam a essa diferença. O período de consulta pública começa hoje e segue até 13 de fevereiro. Após esta data, a Aneel fará uma nova reunião para bater o martelo sobre os números.
Aprovação
Somente a partir daí, a agência poderá começar a aprovar os reajustes extraordinários das empresas de distribuição que fizerem solicitação à agência. Porém, antes da aprovação dos números, o diretor da agência José Jurhosa criticou a divisão dos gastos deste ano, que não vai contar com aportes diretos do Tesouro Nacional.
"Entraram na conta os gastos com programas sociais, como Luz para Todos e a tarifa para baixa renda. Não é o consumidor do setor elétrico que deveria pagar por isso, mas o contribuinte. Esses valores estão um pouco distorcidos só com os consumidores pagando a conta", afirmou o diretor da agência.
No entanto, ainda assim, a diretoria da Aneel aprovou por unanimidade o processo.
Fitch: maior risco de racionamento
São Paulo. A difícil recuperação dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, em função da escassez de chuvas, aumenta a probabilidade de que haja um racionamento de energia no Brasil, de acordo com a Fitch Ratings. De acordo com a agência, essa situação tem potencial de afetar a qualidade de crédito das distribuidoras e geradoras de energia hidrelétrica.
Somente as empresas de transmissão e geradoras baseadas em fontes independentes não devem ser afetadas negativamente, diz a Fitch. "A geração de fluxo de caixa de distribuidoras e geradoras de energia hidrelétrica é sensível ao consumo de energia e à quantidade de água disponível para produção, respectivamente, para cobrir suas dívidas e controlar métricas de crédito".
A agência destaca que a potencial pressão de um racionamento na qualidade de crédito das empresas vai depender do tamanho dessa economia. "A disposição do governo e sua habilidade em compensar rapidamente a queda na receita e no fluxo de caixa das companhias também seria crucial para este cenário".
Fonte: DN