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09 novembro 2015

1% vagabundo e 99% anjo (falso) – Mulheres, é mesmo deste tipo de homem que vocês gostam?

Aquele 1% (Marcos e Belutti)
Eu abro a porta e puxo a cadeira do jantar
A luz de velas pra ela se apaixonar
Eu mando flores, chocolates e cartão
O meu problema sempre foi ter grande coração

Ligo no outro dia no estilo Don Juan
Dormiu bem meu amor? É domingo de manhã
Vamos pegar uma praia, deu saudade do seu beijo
Trato todas iguais
Esse é meu defeito

Tô namorando todo mundo
99% anjo, perfeito
Mas aquele 1% é vagabundo
Mas aquele 1% é vagabundo
Safado e elas gostam

Leu a letra? Então vamos lá…
relacionamento-namoro
Basicamente é isto o que a música está dizendo: que as mulheres gostam de homens “safados” e “vagabundos”, tratando de esclarecer os termos ao explicar que este é o tipo de homem que se passa por cavalheiro, que trata bem, que se comporta como um anjo, mas que despreza qualquer relacionamento mais sério e, por isso, ‘namora todo mundo’.

Mulheres, é desse tipo de homem que vocês realmente gostam? Eu ainda acho que não, a menos que… bom, mulher que gosta de vagabundo, é mulher que gosta de vagabundo. Mas dizer que é deste tipo de homem que “elas” gostam, aí já é demais.
“Elas” é um termo abrangente que especifica todo o grupo das mulheres, todas as mulheres. A música seria bem mais honesta se tratasse de explicar que, do seu ponto de vista, o grupo imaginário das 1% vagabundas é que aprecia o grupo imaginário dos 1% vagabundos.
Podem dizer o que quiserem esses cantores, eu não acredito que a maior parte das mulheres queiram para si o tipo de relacionamento que eles pregam com letras deste tipo. E mais: eu não acho que esses artistas queiram mesmo que levemos a sério tal coisa.
Penso, ademais, que isto não passa de entretenimento que “brinca” com o público, que o provoca para conseguir aquele efeito de se fixar na mente e “estourar” – como se costuma dizer -, nas paradas de sucesso, não pela qualidade musical propriamente dita, mas pela quebra do senso comum que impressiona pela ousadia de violar um espaço que, tenho certeza, as mulheres de modo geral ainda não lhes deram concessão para fazê-lo.
Por mais que a moralidade dos nossos tempos seja afetada pelo fenômeno da “liquidez”, acertadamente apontado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a experiência ainda mostra que o amor e orespeito e não um comportamento vagabundo é o que elas – o grupo mais amplo das mulheres -, realmente gostam e preferem.
Outra coisa que a experiência comum mostra é que a traição, a falta de respeito pelo compromisso, a ausência de sinceridade e de honestidade, bem como o cavalheirismo com segundas intenções, tem efeitos destrutivos do ponto de vista emocional, psicológico e, claro, espiritual. E, mesmo naquele grupo imaginário de 1% das vagabundas, quando há alguma satisfação com o tratamento desleal que lhe é dispensado, esta não passa da esfera do erotismo. Não é por isto, tenho convicção, que as mulheres querem viver. No fundo, não é no grupo de 1% das vagabundas que elas querem estar.
Mulher que se preza ainda deseja ser tratada com exclusividade. Como uma rainha! Ainda quer ser o objeto do amor sem fim de um homem. Ainda valoriza a lealdade, o respeito por sua inteligência, por sua delicadeza, por seus sonhos e pelo amor que ela dedica ao outro. Esse tipo de mulher, definitivamente, não tem apreço por nenhuma porcentagem de vagabundagem.

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