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06 setembro 2015

Leandro Boldrini, réu pela morte do menino Bernardo, é condenado por erro médico

Leandro Boldrini, pai do menino Bernardo, foi condenado por erro médico durante uma cirurgia para retirada de pedra na vesícula de uma paciente, no Rio Grande do Sul. A 10° Câmara Cível do Tribunal do Estado decidiu que ele, uma colega médica e a clínica responsável pela anestesia da paciente terão que pagar indenização por danos moraismateriais e estéticos, além de uma pensão vitalícia de um salário mínimo para a requerente. 

Leandro é um dos quatro réus da morte do próprio filho, assassinado em abril de 2014. O corpo do menino de 11 anos foi encontrado enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, cerca de 80 km de Três Passos, onde a criança residia com o pai e a madrasta.

Pelo assassinato, Leandro aguarda julgamento por crimes como homicídio qualificado e ocultação de cadáver, dentre outros. No caso do erro médico, o profissional foi considerado negligente e, a partir de laudos, não levou em consideração queixas da paciente no pós-operatório. 



Segundo o desembargador Paulo Roberto Lessa rans, ''tal conduta, manifestamente negligente e imperita, implicou na evolução do quadro para uma infecção generalizada que quase a levou a óbito''. Outros dois desembargadores seguiram o voto do magistrado. A decisão foi tomada em julho, mas somente no último dia 3 de setembro foi divulgada. 

Os médicos e a clínica de anesteseologia responsáveis pelos procedimentos foram condenados a pagar, solidariamente, pouco mais de R$ 10 mil por danos materiais emergentes, R$ 70 mil por danos morais e R$ 50 mil por danos estéticos, além da pensão mensal vitalícia. O Hospital de Caridade de Três Passos, que havia sido considerado culpado pela primeira instância, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça.

Erro médico
Em fevereiro de 2009, Beloni Maria Linhar Junbeck se submeteu a uma videocolicistectomia para a retirada de um cálculo vesicular no Hospital de Caridade de Três Passos. Na época, o cirurgião Leandro trabalhava ao lado de outra médica, a anestesista Jeane Cristina Ribeiro Rino Guimarães, também condenada no processo.

De acordo com Beloni, ela precisou ser internada dois dias após a cirurgia sentir fortes dores. Na UTI, sem apresentar melhora, ela foi transferida para o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e passou por uma cirurgia de emergência. Na unidade, ela conta ter sido informada de que, durante a operação para a retirada das pedras vesiculares, seu esôfago havia sido perfurado no procedimento de entubação.

A paciente teve descolamento de pele das suas costas em razão do longo tempo em que permaneceu deitada durante os dois meses de recuperação. Depois, precisou seguir uma dieta controlada até uma nova cirurgia, dessa vez para reconstruir o esôfago. 

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