Buscar

30 agosto 2015

Ponto de vista. Safadão é MPB

Um dos assuntos mais polêmicos em música brasileira é o significado daquele “p” que fica no meio da MPB. A sigla, cunhada no meio dos anos 1960, abraçava uma geração de artistas que faziam fama em festivais de TV. Com o tempo, os grandes festivais acabaram, essa geração sumiu das TVs e se encastelou em teatros suntuosos. No mesmo passo, ficaram reféns das trilhas de novelas para se aproximar do grande público. Assim, deixaram a tal popularidade para outros que soubessem lidar com o mercado de uma forma mais pragmática.
É nesse vácuo comercial que entram figuras curiosas como Wesley Safadão. Falando abertamente para as massas, ele não se arvora a qualquer falsa intelectualidade. Faz música para cantar, dançar, suar e se divertir. Isso é legítimo e necessário. No carnaval, então, é uma usina de hits. Se as letras são apelativas, não são só as dele. Se dá mau exemplo para as crianças, que os pais cuidem disso. Se abuso de álcool e sexo gratuito são temas recorrentes nas letras de forró ou axé, com o rock não é muito diferente. E aqui não faço defesa do Safadão ou de nenhum outro artista popular. Eles não precisam disso. Donos de um mercado muito particular, onde circulam bons milhares de reais, eles independem do aval da crítica ou mesmo de venda de discos. Fazendo música, popular e brasileira, eles só precisam criar um hit imediato, que pode ser esquecido no minuto seguinte, e divertir multidões. Isso, Wesley sabe fazer muito bem.

Por Marcos Sampaio, Editor-adjunto do Núcleo de Cultura e crítico de música.
Fonte: O POVO

Nenhum comentário:

Postar um comentário