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22 maio 2015

Homenagem ao sanfoneiro Dominguinhos, no Teatro Via Sul

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Quinteto Violado: grupo ativo desde os anos 1970, com mais de 50 álbuns lançados
A liberdade para misturar elementos dos ciclos festivos nordestinos - Natal, Carnaval e junino - com informações contemporâneas dão à obra do Quinteto Violado, um dos mais conceituados grupos musicais brasileiros, o caráter universal. "A gente não faz música pelo entretenimento", assevera Dudu Alves, tecladista e cantor. O grupo apresenta, hoje, o show "Quinteto Violado canta Dominguinhos", às 21h, no Teatro Via Sul, em única apresentação.
O som, define Dudu, é uma espécie de "free nordestino". Dudu Alves é filho de Toinho Alves, baixista original do grupo, e passou a fazer parte do Quinteto após a morte do pai.
Com patrocínio cultural dos Correios, o Quinteto está em turnê pelo País, tendo passado por São Luís, ontem (21), e de Fortaleza seguindo para Natal. Os músicos percorrerão 11 capitais brasileiras. "O projeto vai de São Luís a Curitiba", detalha Dudu Alves, que fala com satisfação do trabalho, que consiste em divulgar a obra de Dominguinhos, bem como mostrar a versatilidade musical do Quinteto Violado. Trata-se de homenagem ao compositor, cujo primeiro contato com o grupo aconteceu nos anos 1970, durante uma apresentação de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha.
A identificação foi imediata, registra Dudu, sobre o contato musical que acabou virando amizade e que rendeu até parcerias, como a composição "Sete meninas", assinada por Dominguinhos e Toinho Alves (1943-2008), um dos fundadores do Quinteto Violado. No repertório do show, com estimativa de 1h30m de duração, estão incluídas as composições mais marcantes da carreira de Dominguinhos.
Canções
A homenagem inclui, entre outras, "Sete meninas", o xote "Tenho sede", que ganhou ritmo de ciranda, "Pedras que cantam", "Abri a Porta", "Isso aqui tá bom demais" e "Só quero um xodó".
Todas as músicas ganharam arranjos novos. O show constará, ainda, de bloco formado por músicas do Quinteto Violado, como "Cavalo marinho" e "Palavra acesa", além de composições que ganharam novas leituras, como "Asa branca", de Luiz Gonzaga, que faz parte do repertório permanente do grupo. Em Fortaleza, o grupo recebe no palco participação do sanfoneiro Cezzinha, herdeiro musical de Dominguinhos, e do percussionista Raminho. O espetáculo é dividido em três blocos e investe também no projeto cênico, retratando plasticamente os vários momentos da vida do artista, que encantou gerações, com suas melodias singulares.
Com trajetória artística marcada pela pesquisa musical, sem perder de vista as manifestações culturais nordestinas, o projeto integra a série "Quinteto Violado canta...". O grupo já homenageou outros cartistas, Geraldo Vandré, Jackson do Pandeiro, Adoniran Barbosa e Zé Marcolino.
Interligado
Sempre na ativa, ao longo dos 43 anos de carreira, o instrumentista festeja a vitalidade da banda, que todo ano lança um disco, somando mais de 50. Desde que foi criado, em 1971, pelos músicos Toinho Alves e Marcelo Melo, o Quinteto Violado se mantém na ativa, e carrega a identidade com o "free nordestino". A denominação foi dada pelo cantor e compositor Gilberto Gil, que ficou encantado com a arte dos cinco jovens, que começavam a misturar referências da cultura nordestina com informações da música mundial. "É como o jazz", compara Dudu Alves, considerando fundamental a liberdade criativa no som do grupo. "Não se pode perder a raiz , avisa, ressaltando a pesquisa, que fez escola na música brasileira. "Lenine usa muito a tecnologia dando modernidade à música", ilustra. No ano passado, os músicos participaram da festa pelos 50 anos da migração da Coreia do Sul, no Brasil. Aproveitam para pesquisar e incluir instrumentos, como os tambores que trouxeram da Síria, usados nas cirandas. O contato com diferentes culturas contribui para a longevidade do grupo, que está sempre se renovando.
Com público fiel, que passa de pai para filho, o grupo continua contando com gravadora, lançando disco todos os anos. O Quinteto Violado se renova também na forma como atua atrás dos palcos, ilustra Dudu, citando como exemplo, o uso das mídias digitais e de servidores de música na internet, como o Spotify, onde disponibilizam seus discos. Dudu Alves destoa um pouco da cantilena de muitos artistas. "Está bom", diz, sobre o mercado, afirmando que conseguem renda quando as músicas são acessadas, fazer shows e vender discos, também pela internet.
Há mais de 20 anos o grupo mantém a mesma formação, com Dudu Alves (teclados e voz), Marcelo Melo (violões e voz), Roberto Medeiros (bateria, percussão e voz), Ciano Alves (flautas e violão)e Sandro Lins (baixo). O trabalho, fundamentado em investigação sobre a arte musical nordestina rendeu ao grupo a "Ordem do Mérito Cultural", reconhecimento do Ministério da Cultura (MinC).
Mais informações:
"Quinteto Violado canta Dominguinhos". Hoje, às 21h, no Teatro Via Sul (Av. Washington Soares, 4335 - Sapiranga. Ingressos: R$ 20 / R$ 10(meia). Contato: (85) 3052.8027
Iracema Sales
Repórter
Fonte: DN

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