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22 novembro 2014

'Seu Lunga' morre aos 87 anos em Barbalha, no Ceará

Joaquim dos Santos ganhou fama com respostas ao "pé da letra". É um dos personagens populares da cultura nordestina.


"Seu Lunga" (Foto: Lucas de Menezes/Agência Diário)
"Seu Lunga'' em imagem de julho de 2013 (Foto: Lucas de Menezes/Agência Diário)
Joaquim Santos Rodrigues, o "Seu Lunga", morreu por volta das 9 horas deste sábado (22) na cidade de Barbalha, no Cariri cearense.  "Seu Lunga" tinha 87 anos e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo há três dias, em Barbalha, por causa de um câncer de esôfago. O sepultamento será neste domingo(23) no Cemitério do Socorro, em Juazeiro do Norte. Comerciante, poeta e repentista ganhou fama no Nordeste pelos causos que citavam seu mau-humor.
"Seu  Lunga" nasceu no dia 18 de agosto de 1927, no Sítio Gravatá, na zona rural do município de Caririaçu, na Região do Cariri.  Viveu a infância com os pais e sete irmãos no município de Assaré, e com 16 anos foi morar em Juazeiro do Norte.
O cearense é um dos mais folclóricos nomes da cultura popular nordestina. Tornou-se personagem de inúmeras anedotas por suas respostas ao ''pé da letra'', diretas e intempestivas.
O apelido, recebeu de uma vizinha que passou a chamá-lo de Calunga que, com o tempo foi reduzido para "Lunga". Casado com dona Carmelita Rodrigues Camilo, era pai de 13 filhos, dos quais, dois morreram.
Fonte: G1

Vestibulando da periferia passa em 10 provas

Vestibulando 'prodígio', estudante da periferia já passou em 10 vestibulares

Após desistir de engenharia, Jesus Cristian, 25, tenta passar em medicina. Unicamp, neste domingo, é um dos 10 processos seletivos que ele fará.


O estudante Jesus Cristian exibe coleção de medalhas de olimpíadas estudantis (Foto: Lana Torres / G1)O estudante Jesus Cristian exibe coleção de medalhas de olimpíadas estudantis (Foto: Lana Torres / G1)
No casebre de paredes sem acabamento e privacidade guardada apenas por pedaços de pano disfarçados de porta, na periferia de Nova Odessa (SP), Jesus Cristian de Oliveira guarda sonhos que não cabem nas mais de 20 vezes em que já viu o nome estampado em uma lista de aprovados em vestibulares e concursos. Com renda familiar de um salário mínimo e quociente de inteligência inversamente proporcional, o jovem de 25 anos desistiu recentemente do curso de engenharia e, este ano, foi desafiado pelo cursinho que o “adotou” a enfrentar uma maratona de 10 vestibulares para Medicina - entre eles os mais concorridos do Brasil -, e passar em todos. Neste domingo (23), ele executa parte do desafio como candidato na prova da Unicamp.
Em uma pasta de elástico no canto do quarto de não mais que 2 x 2 metros, ele guarda como um tesouro medalhas, homenagens, e os certificados que começam com o prêmio de melhor desenho na pré-escola e terminam no melhor desempenho, entre 20 mil estudantes, no simulado do Enem deste ano. “Eu sempre gostei muito de estudar”, disse monossilábico.
As pessoas dizem que eu sou superdotado. Mas tem muita gente que sabe muito mais coisas que eu. Aquelas pessoas que memorizam sequências enormes de números... Eles são superdotados, eu não"
Estudante Jesus Cristian
Desde 2007, quando ainda estava no ensino médio, já teve o melhor desempenho entre os treineiros da Fuvest, passou em história, engenharia ambiental e engenharia civil na Unesp; em ciência da computação e engenharia química na Unicamp (este último cursou por dois anos e meio), em primeiro lugar em Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Direito no Mackenzie, em primeiro lugar para Medicina na Anhembi Morumbi e na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa. O estudante também saiu vitorioso no processo seletivo das Etecs e Fatecs de São Paulo e em cinco concursos públicos, todos no topo da lista.
“As pessoas dizem que eu sou superdotado. Mas tem muita gente que sabe muito mais coisas que eu. Aquelas pessoas que memorizam sequências enormes de números. Eles são superdotados, eu não”, descreve modesto sobre seu próprio desempenho.
Todas as aprovações não foram suficientes para ele, que, focado, não abre mão do sonho de se formar médico pela Universidade de São Paulo (USP). “Eu não tenho uma segunda opção. Esse é meu sonho”, disse Oliveira, que admite que o nervosismo o atrapalha na hora da prova do vestibular que ele mais deseja alcançar. “Por nervosismo, me atrapalhei na hora da redação”, conta sobre a frustração no ano passado, quando fez a primeira tentativa.
Trajetória
De família muito pobre, Jesus estudou em escola pública municipal até a sétima série, quando a sequência de premiações, com alta pontuação, em olimpíadas de física, matemática e astronomia, o rendeu uma bolsa no colégio Objetivo de Americana, que até hoje subsidia os estudos do jovem, oferecendo-lhe, também, auxílio financeiro para transporte e alimentação, além de custear os gastos dele com inscrições dos vestibulares.
Aluno de cursinho de Americana mopra na periferia de Nova Odessa e já passou em 10 vestibulares (Foto: Lana Torres / G1)Quarto onde Jesus estuda para enfrentar maratona
de vestibulares.  (Foto: Lana Torres / G1)
“Eu não teria condições nem de ir até a escola, mas eles me ajudam em tudo”, afirmou. No colégio, ele chega a dar aulas para tirar dúvidas dos alunos.  “Ele tem um perfil diferenciado, um QI muito acima da média. Decidiu há dois anos que quer medicina, ganhou alguns livros e já estuda disciplinas da faculdade”, contou o diretor do colégio Carlos Barbosa dos Santos.
Logo que saiu do ensino médio, em 2008, foi aprovado em duas universidades públicas, mas a falta de recursos e a insegurança sobre a escolha dos cursos o fizeram protelar a empreitada. No ano seguinte, entrou na Unicamp, onde cursou engenharia até junho de 2012, quando, com a mãe enfrentando graves problemas de saúde, decidiu que queria ser médico.
Ele foi acolhido, então, em um cursinho popular mantido por voluntários dentro da Unicamp. Estudava e trabalhava em um dos empregos públicos que conseguiu prestando concurso. “Ele é meio quietão, mas sempre lançava perguntas muito sofisticadas. Se distinguia muito dos demais. Tinha um domínio muito bom de todas as matérias”, lembra o ex-professor e coordenador do cursinho, Daniel Serrano.
Ele se manteve na Rede Emancipa até que o colégio Objetivo o resgatou e voltou a investir no sonho do garoto. “Jesus é dedicado, já chegou a dormir na rua para fazer provas, sem que a gente soubesse. Estamos muito confiantes que ele será um referencial e aí fizemos o desafio para ele tentar passar em dez processos seletivos”, disse o diretor da escola.
Oportunidade
Embora tenha estudado desde a 7ª série no colégio particular de Americana, os primeiros anos de ensino fundamental se passaram em uma escola pública de Nova Odessa, cidade onde vive com os pais. O município, de 56 mil habitantes, recebeu nota 6.3 - de 0 a 10 - de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
"As provas e olimpíadas que eu participei mudaram minha vida", fala ao admitir a dificuldade de um estudante pobre em alcançar, com o ensino básico que lhe é oferecido, um lugar em uma boa universidade pública. Ele conta que o apoio que teve do poder público foram cartas e menções honrosas que reconheciam o esforço e desempenho dele.
"Tenho um diploma que me declara estudante modelo da rede pública. E, pode não parecer, mas essas coisas são importantes e incentivam", disse diante das cartas de políticos, Câmara de Vereadores, Prefeitura e outras entidades.
Vestibulando 'prodígio', estudante da periferia já passou em 10 vestibulares (Foto: Lana Torres / G1)Jesus ao lado da mãe, que sustena família com a aposentadoria de 1 salário mínimo (Foto: Lana Torres / G1)
Cursinho popular
Enquanto não vinha a bolsa do cursinho particular em Americana, Jesus se dedicou aos estudos no cursinho popular na Rede Emancipa, que funciona dentro da Unicamp à força de professores voluntários. Este modelo de estrutura de ensino é uma das poucas alternativas para estudantes que saem da escola pública com uma lacuna no conteúdo de ensino que os impede de seguir adiante no sonho de entrar em uma boa universidade.
O professor e um dos coordenadores do curso, Daniel Serrano, explica que anualmente há 250 inscritos, a maioria vinda de escolas públicas. "Mas só podemos abrigar 50 - pelo que fazemos um sorteio simples", explica.  Apesar de funcionar dentro da universidade, o apoio do estado ao grupo se restringe à liberação do uso de salas do Instituto de Biologia para os voluntários ministrarem as aulas.
Fonte: G1

Aplicativo Photomath faz conta direto do papel

Um exemplo de resolução como  o aplicativo
Um exemplo de resolução como o aplicativo
O app Photomath consegue ler e resolver equações na tela do celular só de passar o aparelho com ele ligado em cima da questão. E se isso não for suficiente o aplicativo ainda explica a resolução. Terror para os professores de Matemática?
O intrigante é notar que ele ainda não está disponível naGoogle Play (Android só em 2015), mas já está naWindows Store (geralmente aparece em último lugar). Também já pode ser baixado na AppleStore.
É válido, mas é algo que vai fazer os alunos ficarem um pouco mais preguiçosos. Ou será que não? Opinem!







Confira aqui:

Mulher denuncia agressão por fazer Facebook

Segundo a polícia, suspeito deu socos e mordidas na vítima dentro de carro.
Moradores de Goiás, eles tinham acordo de não acessar o Facebook.


Um jovem de 24 anos foi preso suspeito de bater na mulher, de 23, e de mantê-la em cárcere privado dentro de um carro emValparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil, as agressões ocorreram porque ele descobriu que a vítima criou um perfil no Facebook e eles tinham um acordo de que não podiam acessar a rede social.
O crime aconteceu na quinta-feira (20). Detido, o jovem confirmou à Polícia Civil que bateu na mulher. "Ele confessou e disse que achava que ela o estava traindo pelo Facebook", afirmou ao G1 a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) do município, Ísis Leal.
Segundo a polícia, a confusão começou em Gama (DF), a 19 km de Valparaíso de Goiás, onde o casal foi a um consultório odontológico. Após a consulta, quando o jovem voltou ao carro, ele percebeu que a mulher estava acessando a rede social pelo celular e começou a agredi-la.
A delegada relatou que a vítima levou socos e mordidas dentro de veículo, além de não poder sair do automóvel. Ela só conseguiu fugir do suspeito quatro horas depois, em Valparaíso de Goiás, quando ele parou em uma lan house para conferir a rede social. A mulher pediu ajuda em uma escola em frente ao estabelecimento e procurou a delegacia.
O marido da vítima foi preso em casa horas depois da denúncia. Conforme a delegada, ele vai responder por lesão corporal e cárcere privado.
Detido no presídio de Valparaíso de Goiás, ele está à disposição da Justiça. “Não foi arbitrada fiança e agora fica a critério da juíza se transforma a prisão dele em prisão preventiva ou se solta ele mediante liberdade provisória”, explicou Ísis.
Fonte: G1

Leia algumas das poesias de Seu Lunga

Seu Lunga recitou poesias ao Diário do Nordeste, em reportagem publicada em 2013
Ele ficou famoso por suas respostas ríspidas e pela falta de paciência, mas Seu Lunga,falecido neste sábado (22), também tinha outra faceta: era poeta. Assim como seu conterrâneo Patativa do Assaré, o sucateiro tinha apreço pelas rimas, contos e versos. Em entrevista concedida à repórter Naiana Rodrigues, publicada no Diário do Nordeste em 2013, Seu Lunga recitou alguns pensamentos nunca antes registrados em papel.  Com temáticas que passeiam pela velhice, mulheres e paixões, leia algumas das poesias do cearense:
“Quem me dera ser um pássaro, para no mundo voar. Eu ia para o oceano, depois podia voltar, mas ia cair nos teus somente para consolar”.

“No Estado de Minas, achei uma menina que me deixasse lembrança. Do lado de tua trança, guardada em meu peito, toda hora passo a mão e também de noite quando me deito”.

“A mulher para ser bonita, precisa ser alta e bela. Na rua, os rapazes da ribeira tão tudo louco por ela”.

“Se ao romper do dia, é as árvores que chora. Passarinho canta e grita, mas meu bem, eu vou embora. E as mulher de hoje em dia anda tudo com o bucho de fora”.

“Quem não mora muito longe, morando perto é vizinho. Encostado a essa mata, mata que tem espim, cada pau tem um galho, cada galho tem um ninho, não vou morar nessa mata por causa dos passarim”.

“Morava bem em Juazeiro, me transportei daqui e fui morar em Salgueiro. Lá, existe uma fazendo que só existe vaqueiro. Existe também um boi, que é um grande boi mandingueiro, se eu pego meu cavalo, um cavalo muito ligeiro, vou derribar o boi, cavalo, boi e vaqueiro”.


LUTO - Morre Seu Lunga, sucateiro que se tornou um personagem da cultura nordestina

O sucateiro que se tornou um personagem da cultura popular nordestina, Joaquim Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", morreu hoje pela manhã, por volta de 9h30, aos 87 anos, em decorrência de um câncer no esôfago. Ele estava internado no hospital São Vicente, em Barbalha. Seu Lunga morava com a esposa Carmelita Rodrigues Camilo e foi desse matrimônio que nasceram 13 filhos. Desses, há 11 vivos. Dois deles morreram em
decorrência do mesmo problema do pai.
Biografia
Joaquim dos Santos Rodrigues nasceu em 18 de agosto de 1927, no Sítio Gravatá no município de Caririaçu, e viveu a infância com os pais e sete irmãos no município de Assaré. Recebeu um apelido por uma senhora, que era vizinha, e passou a chamá-lo de Calunga, que mais adiante se reduziu para Lunga. Com 16 anos de idade foi morar no município de Juazeiro do Norte. Casou em 1951 e tornou-se pai de treze filhos. Lunga era dono de uma sucata em Juazeiro do Norte que vendia de tudo, desde aparelhos de televisão a frutas.
Processo
Em 2011, Seu Lunga venceu um processo contra o cordelista Abrahão Batista, que utilizava o apelido do sucateiro em suas publicações. "Eu não desejo nenhuma indenização. Quero somente que ele deixe de escrever mentiras em meu nome", disse, à época, ao Diário do Nordeste. Abrahão publicou o cordel com o título "As histórias de Seu Lunga, o homem mais zangado do mundo", que narra frases e respostas atribuídas ao comerciante. 
Boatos
Em 26 de julho de 2013, Seu Lunga enfretou boatos que circularam na internet de que ele havia sido assassinado. Em entrevista ao Diário do Nordeste, respondeu ao estilo que o fizeram famoso: “Quero saber quem é o ‘fela da puta’ que disse isso. Agora vou viver mais 100 anos!”, desabafou.