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29 setembro 2014

Campanha de Dilma em 2010 pediu dinheiro ao esquema do ‘petrolão’

DELAÇÃO PREMIADA
Campanha de Dilma em 2010 pediu dinheiro ao esquema do ‘petrolão’
Paulo Roberto Costa, no processo de delação premiada, diz às autoridades que, no final do governo Lula, o ex-ministro Antonio Palocci o procurou para pedir 2 milhões para a nova disputa à Presidência.

Foto: material de campanha de Dilma em 2010. 
Há três semanas, a revista VEJA revelou que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa havia dado às autoridades o nome de mais de trinta políticos beneficiários do esquema de corrupção envolvendo a estatal.

A lista, àquela altura, já incluía algumas das mais altas autoridades do país, entre elas, o Governador do Ceará, Cid Gomes, além de integrantes dos partidos da base de apoio do governo do PT.

Ficou delineada a existência de um propinoduto cujo objetivo, ao fim e ao cabo, era manter firme a adesão dos partidos de sustentação ao governo. O esquema foi logo apelidado de “petrolão”, o irmão mais robusto, mas menos conhecido, do mensalão, dessa vez financiado por propinas cobradas de empresas com negócios com a Petrobras.

À medida que avançava nos depoimentos, Paulo Roberto ia dando mais detalhes sobre o funcionamento do esquema e as utilidades diversas do dinheiro que dele jorrava. Em decorrência da audácia do caso, mesmo se comparado aos padrões de corrupção no Brasil, o esquema foi comparado a um “elefante-voador” — algo pesadamente inacreditável, mas cuja silhueta estava lá bem visível nos céus de Brasília.

Agora, surge mais um “elefante-voador” originário do mesmo ninho do anterior. Paulo Roberto Costa contou às autoridades que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, então coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff.

O ex-diretor relatou ter recebido o pedido de pelo menos 2 milhões de reais para a campanha presidencial do PT. A conversa, segundo ele, se deu antes do primeiro turno das eleições. Antonio Palocci conhecia bem os meandros da estatal. Como ministro da Fazenda, havia integrado seu conselho de administração. Era de casa, portanto, e como tal tinha acesso aos principais dirigentes da companhia. Aos investigadores, Paulo Roberto Costa contou que a contribuição que o ex-ministro pediu para a campanha de Dilma sairia da “cota do PP” na Petrobras.

Quando as autoridades quiseram saber se o dinheiro chegou ao caixa de campanha de Dilma em 2010, Paulo Roberto limitou-se a dizer que acionou o doleiro Youssef para providenciar a “ajuda”.
Pelo trecho da delação a que VEJA teve acesso, Paulo Roberto Costa diz não poder ter certeza de que Youssef deu o dinheiro pedido pela campanha de Dilma, mas que “aparentemente” isso ocorreu, pois Antônio Palocci não voltou a procurá-lo.

FONTE: VEJA 

Fonte: http://www.cearanews7.com.br/ver-noticia.asp?cod=20619

ISTOÉ que liga Cid Gomes a acusações na Petrobras 'some' de livrarias

FOLHA DE S.PAULO
ISTOÉ que liga Cid Gomes a acusações na Petrobras 'some' de livrarias 
Apenas três compradores esgotaram o estoque de duas das maiores livrarias da cidade ao adquirirem quase 300 exemplares da revista .

Foto: André Uzêda/Folhapress. 
A edição da revista ISTOÉ que liga o governador Cid Gomes ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa teve uma vendagem atípica em Fortaleza.

De acordo com a Folha de S.Paulo, apenas três compradores esgotaram o estoque de duas das maiores livrarias da cidade, ao adquirirem quase 300 exemplares da revista cuja manchete era: "O governador e o delator".

Ao jornal, a assessoria de Cid Gomes afirmou que o governador não está envolvido na compra em bloco.

Após a procura massiva, a editora Três, que publica a ISTOÉ, reforçou a distribuição em Fortaleza em 60%.


LEIA MAIS EM: Revista que liga Cid Gomes a acusações na Petrobras 'some' de livrarias 


Fonte: http://www.cearanews7.com.br/ver-noticia.asp?cod=20630

Melissa Gurgel, representante do Ceará, conquista a 60ª edição do Miss Brasil

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Determinada, a cearense de apenas 20 anos subiu ao palco e desbancou 26 concorrentes
FOTO: FOLHAPRESS
A altura de 1,68m, mínima permitida para concorrer ao Miss Brasil, não intimidou Melissa Gurgel, a Miss Ceará, que venceu os preconceitos e foi coroada como a mulher mais bonita do Brasil em 2014, em cerimônia realizada na terra natal, Fortaleza, na madrugada de ontem.
Determinada, a cearense de apenas 20 anos subiu ao palco do Centro de Eventos do Ceará (CEC) e desbancou 26 concorrentes em mídia nacional, faturando um carro no valor de R$ 40 mil e a honra de levar o Estado e o País para o Miss Universo, que será disputado em janeiro de 2015, nos Estados Unidos.
Antes da disputa e da coroação, Melissa já mostrava confiança, mesmo ao ser questionada sobre a baixa estatura: "Não é minha altura que vai ou não me fazer conquistar o título. É a minha atitude".
O coordenador artístico do Miss Brasil 2014, Evandro Hazzy, mostrou entusiasmo com o potencial da modelo cearense: "Ela (Melissa) será nossa nova Carmen Miranda, nossa pequena notável. O Brasil estará muito bem representado. Ela tem força e atitude de sobra e provou que tamanho não é documento".
Um dos maiores desafios de Melissa nessa caminhada, que começou com o título de Miss Maracanaú (cidade da família da moça), foi vencer a timidez, revela o amigo Juarez Souza, que esteve com ela minutos antes do embarque para São Paulo. Agora, a estudante de Design de Moda da Universidade de Fortaleza (Unifor) terá que deixar a Terrinha para se preparar para o concurso internacional na capital paulista.
Preconceito
Apesar de ter sido ovacionada pelo público, a vitória da cearense não foi tão bem recebida por todos. Insultos ao povo cearense e ao Estado se espalharam pelas redes sociais. A usuária do Twitter identificada como Ágnis Jamardo, por exemplo, postou: "Miss Ceará bonita até abrir a boca e vir aquele sotaquezinho sofrível".
Fonte: Diário

CHACINA DE REDENÇÃO - Tiros na cabeça mataram jovens

Os corpos das cinco vítimas, que tinham idades entre 14 e 19 anos, ainda permanecem na Comel aguardando liberação

CHACINA DE REDENÇÃO

Tiros na cabeça mataram jovens

29.09.2014

Laudo pericial foi concluído e entregue à Polícia, afirmando que jovens foram executados a bala


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Os corpos das cinco vítimas, que tinham idades entre 14 e 19 anos, ainda permanecem na Comel aguardando liberação
FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES
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Diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Ricardo Romagnoli, acompanha as investigações do crime
FOTOS: HELENE SANTOS
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A delegada titular de Redenção, Cristina Cruz, afirmou que todos os jovens apresentavam ferimentos provocados por arma de fogo na região craniana
Todos os cinco jovens vítimas da chacina de Redenção foram mortos com tiros na cabeça. A Polícia Civil recebeu os laudos da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), que atestam a causa das mortes. A delegada titular da Cidade, Cristina Cruz, preside o inquérito e teve acesso às conclusões dos médicos legistas da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel). Os corpos foram encontrados em duas covas- rasas em um canavial na cidade de Redenção, a 63 km de Fortaleza, no dia 1º de setembro.
Além dos laudos cadavéricos, a delegada recebeu também os exames de DNA, conclusivos sobre o parentesco dos corpos dos garotos, que estão na Comel, com as pessoas que forneceram material genético para que fosse feito o confronto.
Quatro dos corpos são de adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos. Conforme o diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Ricardo Romagnoli, o quinto cadáver encontrado no mesmo canavial, que até agora não foi reclamado por ninguém, é de uma pessoa que tinha aproximadamente 19 anos. O corpo, do sexo masculino, foi morto com um tiro na mandíbula.
Cristina Cruz considera pouco provável que esta pessoa tenha alguma ligação com as outras quatro vítimas da chacina. Para ela, o quinto corpo encontrado pode ser de um adolescente que estava desaparecido desde o ano de 2012.
"Por enquanto, não houve nenhuma manifestação de ninguém que possa ser familiar deste jovem encontrado morto. Temos um registro de desaparecimento de um adolescente chamado 'Jonas', feito há dois anos. Quando desapareceu, ele tinha 16 anos. Se estivesse vivo ultimamente, ele poderia ter aproximadamente 18 ou 19 anos", afirmou a delegada.
A titular de Redenção informou que já notificou a família do garoto, para que vá até à Pefoce para fazer o exame de DNA.
"Precisamos fazer tentativas de identificação que afastem, ou não, a hipótese de que alguém que conste nos registros de pessoas desaparecidas, possa ser o cadáver", afirmou.
Oitivas
As oitivas dos suspeitos, que foram notificados para comparecerem à Delegacia de Redenção ou à DHPP, já foram iniciadas. Cristina e Romagnoli se reuniram, na tarde de quinta-feira (25), para pontuar algumas informações novas acerca da chacina.
"O caso é muito complexo. São muitas coisas a serem apuradas. O que me parece é que existe um motivo específico para que alguém executasse todos. Eu acho que o fato deles serem envolvidos com delitos, por si só, não é forte o bastante para o que aconteceu. Acredito que algo em especial motivou as mortes", disse o delegado Romagnoli.
Conforme Cristina Cruz, oito pessoas que podiam ter alguma informação relevante sobre o fato já foram ouvidas, mas outras pessoas ainda devem comparecer à Delegacia. "Durante os depoimentos, novos nomes acabam sendo revelados e isto gera novas notificações. Todas as pessoas que forem mencionadas serão ouvidas", disse a delegada.
O caso
Os adolescentes vítimas da chacina, identificados como Jonathan Araújo de Brito, Iranildo Leitão da Silva Filho, Erineudo Leitão da Silva Brito e Távio da Silva Sousa, foram raptados no último dia 19 de agosto, da casa onde moravam juntos, no bairro Boa Fé. Segundo a Polícia, os garotos eram envolvidos com assaltos, furtos e, alguns deles, já tinham sido apreendidos portando armas de fogo.
Os operários de uma usina, instalada dentro do canavial encontraram os corpos e acionaram a Polícia. Os cadáveres, em estado de putrefação, passaram por diversos procedimentos na Comel, onde estão até hoje. É necessário que um alvará, expedido por um juiz, determine a liberação dos corpos, uma vez que não foi possível chegar a identificação precisa de nenhum deles pelos métodos científicos.
"O DNA foi conclusivo sobre o parentesco, mas não sobre a identidade. Somente o juiz, em posse dos laudos, pode dar esta ordem para denominarmos e liberarmos os corpos", explicou a coordenadora da Comel, a médica Hellena Carvalho.
Márcia Feitosa
Repórter
Fonte: Diário

Marina Silva: 'Eu quero ganhar ganhando'

Eleições 2014

Marina Silva: 'Eu quero ganhar ganhando'

Na última quinta-feira, a candidata do PSB à Presidência fez a VEJA seu balanço de uma campanha que ela diz ser dominada pelo "marketing selvagem"

Thais Oyama e Carlos Graieb
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva: "Eu só quero um mandato"
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva: "Eu só quero um mandato" (Marcos Michael/VEJA)
"Eu peço a Deus que Lula ajude o PT a sair dessa lógica dos aloprados"
Há pouco mais de um mês, a trágica morte do ex-governador Eduardo Campos em um acidente aéreo mudou o curso da campanha presidencial e fez com que as eleições de 2014 se tornassem as mais imprevisíveis desde a redemocratização do país. O imponderável lançou na disputa a ex-senadora Marina Silva, vice na chapa de Campos, que filiou-se ao PSB porque seu partido, a Rede Sustentabilidade, foi barrado pela Justiça Eleitoral. Segundo os institutos de pesquisa, Marina entrou na campanha há exatos 37 dias com índice de intenção de votos pouco acima do que obteve nas urnas há quatro anos – 19,33% dos votos válidos. Se na largada o porcentual de votos de Marina já era mais do que o dobro do que Campos atingia, nos dez dias seguintes ela deu um salto e colou na petista Dilma Rousseff, candidata à reeleição — superando-a, aliás, nas sondagens para o segundo turno. A reação da máquina petista foi imediata: Marina Silva passou a enfrentar bombardeio diário e foi alvo do discurso do medo que o Partido dos Trabalhadores aprendeu a usar sem moderação. A arrancada de Marina foi detida. Em entrevista a VEJA na última quinta-feira, ela fez um balanço da campanha, disse estar "estarrecida" diante das operações do "marketing selvagem" falou, num misto de mágoa e cálculo político, de sua relação com o ex-presidente Lula. 
A senhora passou a maior parte de sua vida política no PT. Nesta campanha, vem sendo alvo de ataques muito pesados por parte da sigla. Isso a pegou de surpresa? Sim, isso me chocou um pouco. Acho que ninguém esperava esse marketing selvagem, que não tem nenhuma mediação dos valores e da ética. Todo mundo ficou um pouco assustado. A gente já viu isso no passado. O Collor ganhou uma eleição dizendo aberrações contra o Lula. Nos rincões do Brasil o que faziam circular era que o Lula tiraria um quarto de quem tinha dois, uma galinha de quem tinha duas, que ele iria confiscar as Bíblias de quem acreditava em Deus. Agora está acontecendo algo parecido, mas com sinal inverso. Dizem que se eu for eleita todo mundo vai ser obrigado a seguir a minha fé, o que contradiz toda a minha história como cristã. E depois dizem que eu vou acabar com o Bolsa Família, com o pré-sal, com a transposição do rio São Francisco – até com o direito a férias e ao décimo terceiro. Falam como seu eu fosse uma exterminadora do futuro. É uma nuvem de fumaça para impedir que as pessoas percebam que é o nosso presente que está sendo ameaçado com a volta da inflação, com os juros altos, com a corrupção.
Qual ataque lhe pareceu mais truculento? É uma nuvem de mentiras e boatos. Mas o que me deixa mais estarrecida é que esse tipo de marketing não desqualifica apenas a mim, ele também desqualifica a nossa história coletiva, aquilo que a sociedade brasileira conquistou e institucionalizou nas últimas décadas. O Brasil não é uma república de papel. Nós temos instituições que foram conquistadas a duras penas. Quando você diz que tudo isso pode ser retirado da mesa num passe de mágica, está fazendo pouco de todos nós. É difícil lutar contra essas coisas quando o adversário tem tantos recursos para fazer campanha. Mas eu me apego a duas coisas. Primeiro, conto com o discernimento da sociedade. Depois, me apego ao exemplo de pessoas muito maiores que eu. Os algozes de Nelson Mandela o puseram numa cadeia por mais de 25 anos. Hoje, todo mundo sabem quem era Mandela, e o nome de quem o oprimiu é que leva uma mancha. Martin Luther King era Martin Luther King, Gandhi era Gandhi. Eu tento me inspirar nessas pessoas.
E no ex-presidente Lula? Não mais? Eu peço a Deus que Lula ajude o PT a sair dessa lógica dos aloprados. 
Mas Lula é o grande líder do PT. Sua influência é enorme no partido e naquilo que a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff põe nas ruas. O Lula não pode ser tragado pelo PT pragmático. O PT das origens não pode permitir que esse PT pragmático trague o Lula.
A senhora, então, não perdeu a confiança nele. Eu faço a aeróbica do bem.
O que é isso? É fortalecer a musculatura boa. É acreditar, mas não ingenuamente. Quem ajudou a tirar 40 milhões de pessoas da miséria, e esse é o legado do Lula, não pode ser visto como uma fraude. Da mesma forma que alguém que ajudou a tirar o país da inflação galopante, como o Fernando Henrique Cardoso, não pode ser esquecido – embora o próprio PSDB, por muito tempo, não tenha ressaltado toda a contribuição do seu político de maior renome. Desde 2010 eu falo dos dois legados, e digo que nós queremos governar com os melhores dos dois partidos.
A senhora está dizendo que institucionalmente é bom para o país preservar esses personagens, esses dois ex-presidentes que foram importantes, ou a senhora está dizendo que acha que o Lula pessoalmente não tem nada a ver com os rumos da campanha presidencial? Eu quero que Lula e Fernando Henrique voltem a ser sujeitos da nossa história. Eles, que tiveram de pagar o preço de ser tutelados pela Velha República, que voltem à cena política brasileira para estabelecer a contribuição da Nova República. É isso que eles devem fazer. Nós temos de entender que há algo de sério acontecendo no Brasil. A sociedade brasileira avançou muito mais que os partidos, que as lideranças. A sociedade está à frente. Por vinte anos as pessoas esperaram que a política mudasse. Agora, ela resolveu mudar os políticos. Mas o novo sempre se estabelece em cima de algo que já existia. As sociedades avançam quando são capazes de institucionalizar suas conquistas. Quando tudo é fulanizado, partidarizado, não se vai a lugar nenhum. O Lula fez um gesto, manteve o Plano Real, o principal legado do governo FHC. Quem vier agora tem de manter o legado da inclusão social, mas também abordar o novo desafio, que é o de recuperar a credibilidade para as instituições políticas. E para isso é mais fácil conversar com Lula e Fernando Henrique, por suas histórias, do que com Sarney e outros que incorporam e sustentam as velhas práticas.
A senhora e o ex-presidente Lula se falaram neste último mês? Não.
É sabido que a senhora tem uma ligação afetiva muito forte com o Lula. É verdade que sua filha Moara recebeu esse nome em homenagem a ele? Moara significa liberdade em tupi-guarani. Era o nome de um jornalzinho estudantil da minha juventude. Eu decidi dar esse nome à minha filha durante um voo num monomotor minúsculo, durante a campanha presidencial do Lula contra o Collor. Eu estava apertada entre duas pessoas, com um barrigão enorme de grávida, e o bebê não parava de chutar. Alguém disse, para aliviar a tensão: "Essa menina gosta de voar". Eu escolhi o nome naquela hora, e foi, sim, uma homenagem ao Lula, porque aquela campanha foi  muito dura, havia muitos ataques. Mas, independentemente disso, eu não sou uma pessoa que quer reescrever a história. Eu vou continuar falando das pessoas que admirei no passado com admiração, mesmo que elas possam ter me decepcionado no presente, algumas delas.
As pontes com o PSDB não estão sendo dinamitadas nesta campanha, tanto pelo lado da candidatura Aécio Neves quanto pelo seu lado, que rejeita a aproximação com lideranças importantes do partido? Quando eu trago a cena o legado do PT e do PSDB, essa é a melhor ponte para o diálogo. São eles que estão vocalizando desconstruções e preconceitos contra mim. Eu queria debater programas, mas nem Dilma nem Aécio apresentaram os programas deles. Como eles não têm programa, estão atacando como estratégia de defesa. É um modo de não chamar atenção para esse grave problema, que é ser candidato sem ter programa.
A senhora tem dito que quer somente um mandato. É possível implementar o seu programa em quatro anos? E se medidas importantes estiverem inconclusas? Quatro anos é o suficiente para começar.
A senhora, então, só quer começar? Eu só quero um mandato. Quem disse que eu sou a única que pode implementar nosso programa? PT e PSDB tinham projetos de vinte anos. Veja o que aconteceu. A alternância de poder é fundamental e um mandato é suficiente para você dar sua contribuição.
O compromisso dos quatro anos, então, está escrito na pedra. Sim. São quatro anos. E a sociedade vai decidir se depois disso continua o PSB, a Rede, o PT, o PSDB. O que eu quero é reabrir o diálogo político num Brasil que está cindido.
A senhora às vezes fala dos movimentos sociais como se fossem entes puros. Mas muitos deles vivem numa simbiose clara com os partidos fortes, o PT especialmente. Eles se deixam cooptar e estão satisfeitos com isso. A senhora não idealiza demais esses movimentos? Há dois extremos que não são bons. Um, é o que deixa os movimentos sociais à margem, como fez o PSDB. O outro, é o de cooptá-los, como fez o PT. Os movimentos sociais são importantes. Eles trazem contribuições relevantes para a democracia. Não existe governo onipotente, onipresente, onisciente, capaz de enxergar tudo e de acoplar todos os movimentos sociais a si. O que nós defendemos é a liberdade para essas entidades, independentemente do seu alinhamento ideológico. Isso vale também para governantes em todas as esferas da administração. A ideia mesquinha de que um político eleito pelas suas convicções ideológicas tem de ficar à míngua porque não é do meu grupo tem de ser abandonada. Nós vamos trabalhar com os prefeitos e governadores legitimamente eleitos.
A senhora entrou nesta campanha com um capital de 26% de votos, e continua mais ou menos nesse patamar. Como dar um salto com a estrutura de que a sua coligação dispõe?Em 2010 eu entrei com 12% e terminei com 19, quase 20%. É possível dar esses saltos, já aconteceu. A Dilma e o Aécio têm estruturas fenomenais, ela em especial. Mas mesmo assim eu estou em primeiro lugar no Rio de Janeiro, em São Paulo, em praças muito importantes. Há um brasileiro que encontra nas nossas propostas aquilo que está procurando. Porque a nova política está aí, quer queiram, quer não queiram. 
Mas permanece o fato de que seu capital eleitoral não cresceu neste mês de campanha. Sua coligação dispõe das armas necessárias para blindá-la dos ataques e, ao mesmo tempo, fazer sua mensagem chegar ao eleitor que ainda está indeciso?  Se for amadorístico se orientar pelos valores e não dizer qualquer coisa dos adversários, então nós vamos continuar sendo amadores. O marketing é uma ferramenta. A sociedade não pode votar no marqueteiro, não é ele que vai governar.  Eu tomei uma decisão: vou ganhar ganhando, não vou ganhar perdendo, ou seja, fazendo o mau combate.
E perder ganhando, a senhora quer? Eu vou ganhar ganhando. Quem vai perder perdendo são aqueles que lançam mão de qualquer arma. É a pior forma de perder. 
Passado pouco mais de um mês, a morte de Eduardo Campos, que a tirou da condição de vice para encabeçar a chapa do PSB, lança alguma sombra sobre a sua campanha? Mais do que qualquer ataque, a parte mais difícil da campanha foi a morte do Eduardo. Porque você não tem como se preparar para o imponderável. O nosso projeto já estava em andamento fazia dez meses. Eu já havia aberto mão completamente do papel de protagonista. Toda a nossa narrativa tinha a ver com a liderança do Eduardo, com as experiências do Eduardo e, sim, com o partido de Eduardo, o PSB, com sua história de sessenta anos. Felizmente, havia um polo estabilizador para a nossa aliança, que era o programa político. Ele contemplava as propostas da Rede, que são aprofundar a democracia, manter as conquistas institucionais corrigindo os erros e encarar o desafio de um novo modelo econômico que não vire as costas para a questão da sustentabilidade. Isso permitiu que eu voltasse ao centro da batalha.
Como a senhora ficou sabendo da morte de Eduardo Campos? Nós nos vimos pela última vez na noite anterior ao acidente, no Rio de Janeiro. Em vez de embarcar com ele para um compromisso em Santos, eu voltei diretamente para a minha casa em São Paulo, porque tinha de gravar programas de campanha à tarde. Havia várias pessoas comigo, assessores, gente da família. Primeiro veio a notícia de que um avião tinha caído em Santos. Ficamos todos impactados, começamos a ligar para o Eduardo e os outros que estavam com ele, porque sabíamos que o voo já devia ter chegado. Alguém conseguiu falar com o Rodrigo Molina [secretário particular de Campos] e houve um momento de alívio, até percebermos que ele não estava no avião, havia retornado a Pernambuco em companhia de Renata, da mulher de Eduardo. Depois surgiu a imagem de um helicóptero acidentado, e foi outro suspiro de alívio. Eu pensei comigo: “Como nós somos egoístas, eu aqui alegre porque não foram os nossos amigos, mas houve gente que morreu.” Mas isso também durou pouco, porque obtivemos a confirmação de que o prefixo da aeronave acidentada era o mesmo do avião do Eduardo. A primeira coisa que eu disse foi: “Meu Deus, e a Renata?” Porque eles eram unidos demais, eles eram siameses. Passaram dias antes de eu falar com ela. Foi só no sábado. Eu pensava, se essa mulher desmoronar, tudo à nossa volta desmorona junto com ela. Mas quando eu finalmente consegui falar com ela, tentando balbuciar alguma palavra de força, ela estava tão inteira que foi o contrário que aconteceu. Ela começou a nos dar força. Com isso começamos a nos reagrupar.
Como está sendo esta campanha para sua família? Meus filhos já são adultos, e todos cresceram me vendo fazer o bom combate. Os mais velhos, quando eu ainda vivia no Acre, passaram muitos momentos de apreensão quando eu saía de casa de ônibus para me envolver na política. Para eles, me ver diante de qualquer situação é fácil. Eles me conhecem, e é muito bom ver quem te conhece redobrar a aposta em você diante de cada mentira ou ataque. Meus filhos são testemunhas vivas de que o que nós dizemos é o que nós vivemos. 
Uma das suas filhas é estudante de jornalismo. O que a senhora diz a ela sobre liberdade de imprensa? Liberdade de imprensa é para falar a verdade, e que os seus leitores tirem suas conclusões dos fatos que você corretamente apurar. Digo a ela também que quando der uma opinião, que seja a sua opinião de fato. 
Quais, a seu ver, são as palavras que melhor a definem neste momento? Fé e determinação. A fé para remover as montanhas que eu não tenho como escalar, e a determinação para escalar todas as montanhas que eu não devo transferir para a fé.
A perspectiva de ocupar um desafio tão grande quanto a presidência lhe dá algum medo?Meu compromisso é maior que qualquer medo que eu possa sentir. Mas uma pessoa que não tenha medo deve ser internada, porque é louca. O medo é uma defesa natural contra os perigos.
Fonte: VEJA

Datafolha: Dilma abre vantagem, mas 2º turno é acirrado

Eleições 2014

Datafolha: Dilma abre vantagem, mas 2º turno é acirrado

No 1º turno, presidente-candidata atinge 40% de intenção de voto e Marina cai para 27%. Aécio sobe um ponto e chega a 18%

Presidenciáveis, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB)
Presidenciáveis, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) (Felipe Cotrim/VEJA.com)
(Atualizada às 21h30)
A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) abriu treze pontos de vantagem sobre a adversária do PSB, Marina Silva, indica pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. No primeiro turno, Dilma ganhou três pontos em relação à pesquisa anterior e agora aparece com 40% de intenção de voto, enquanto Marina perdeu três pontos e caiu para 27%. O senador Aécio Neves (PSDB) permanece em terceiro lugar, mas oscilou um ponto positivamente e chegou a 18% de intenção de voto.
Na pesquisa anterior, publicada no último dia 19, a vantagem da presidente sobre a ex-ministra do Meio Ambiente era de sete pontos: Dilma tinha 37%, ante 30% de Marina Silva e 17% de Aécio. A nova pesquisa confirma a tendência de queda de Marina, alvo de uma artilharia da petista e também de ataques do tucano. No atual levantamento, indecisos somam 6%; brancos ou nulos, 5%.
A uma semana da eleição, o Datafolha divulgou pela primeira vez os resultados com base em votos válidos, ou seja, quando são excluídos da soma final os votos nulos ou em branco, conta mais próxima da que é feita na apuração pela Justiça Eleitoral. Neste cenário, Dilma teria 45%, Marina ficaria com 31%, e Aécio somaria 21%. No atual levantamento, iindecisos somam 6% e brancos ou nuloes, 5%.
No segundo turno, porém, Dilma e Marina ainda empatariam no limite da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. O novo levantamento indica que Dilma tem agora 47% contra 43% de Marina. A diferença em relação à pesquisa anterior é que Dilma assumiu a dianteira, antes com Marina: a pessebista tinha 46%, e a petista, 44%. Considerados apenas os votos válidos, Dilma teria 52%, e Marina, 48%.
Rejeição – A presidente-candidata ainda possui o maior índice de rejeição entre os presidenciáveis, apesar de ter registrado uma queda de dois pontos no quesito: de 33% no levantamento da semana passada, para 31% na nova rodada de entrevistas. O mesmo ocorreu com o tucano Aécio Neves, cuja rejeição baixou de 22% para 20%. Marina Silva sofreu efeito contrário: ela era rejeitada por 21% do eleitorado brasileiro – agora 23% afirmam que não votariam nela de jeito nenhum.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo. Ao todo, os pesquisadores entrevistaram 11.424 pessoas em 402 municípios dos 26 Estados e do Distrito Federal, entre os dias 25 e 26 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00782/2014.
Gestão – O Datafolha também questionou os eleitores sobre o grau de aprovação do governo Dilma. O índice continua em 37% de "bom ou ótimo", mesma aprovação da pesquisa anterior. Para 39%, o governo é "regular", e para 22%, "ruim ou péssimo". Dos entrevistados, 1% não soube responder.
Resultado da Pesquisa Datafolha para presidente da República em 26/09/2014
Fonte: VEJA

Justiça proíbe greve de servidores do TRE paulista

Eleições 2014

Justiça proíbe greve de servidores do TRE paulista

Sindicato dos servidores estará sujeito a multa diária de 300.000 reais

Urna eletrônica
Urna eletrônica (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr/VEJA)
A Justiça Federal determinou a proibição da greve dos servidores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), prevista para começar na terça-feira, a cinco dias do primeiro turno das eleições. A decisão liminar é do desembargador Cotrim Guimarães, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que considerou que a greve poderia ser uma "séria ameaça à democracia". Caso não cumpra a decisão, o sindicato dos servidores estará sujeito a uma multa diária de 300.000 reais.
A informação foi divulgada na tarde deste domingo pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, a maior Corte eleitoral estadual do país, responsável pelo maior colégio eleitoral brasileiro, com 32 milhões de eleitores
Em sua decisão, o magistrado afirma que uma greve deflagrada na semana das eleições nacionais se configurará "numa séria ameaça à democracia, pois colocaria em risco a viabilidade da maior manifestação popular conquistada após anos inesquecíveis de um regime repressivo que liquidou com os direitos e garantias individuais e coletivas do povo brasileiro".
Guimarães reconhece, contudo, que as reivindicações dos servidores apresentadas por meio do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud) "englobam o plano de uma luta de classe, que busca sua valorização dentro do espaço democrático de nosso país".
Na mesma liminar, o desembargador fixou a multa diária de 300.000 reais ao Sintrajud, sob o regime de solidariedade com cada servidor que venha a desobedecer à decisão, sem prejuízo da responsabilidade administrativa, cível e criminal.


(Com Estadão Conteúdo)
Fonte: VEJA

Na terra do avô Tancredo, Aécio prega 'resgate da ética'

Eleições 2014

Na terra do avô Tancredo, Aécio prega 'resgate da ética'

Em Minas Gerais, candidato do PSDB vai a São João Del Rei, cidade de Tancredo Neves, para batizar casal de gêmeos

Bruna Fasano, de São João Del Rei (MG)
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O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, e a esposa Letícia Weber batizaram os filhos gêmeos neste domingo (28), em São João del-Rei, Minas Gerais
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, e a esposa Letícia Weber batizaram os filhos gêmeos neste domingo (28), em São João del-Rei, Minas Gerais - Ivan Pacheco/VEJA.com
A uma semana do primeiro turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, reuniu parentes na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, em São João Del Rei (MG), terra da família Neves, para o batismo dos filhos gêmeos, Bernardo e Júlia, que têm pouco mais de quatro meses de vida. Ao lado da mulher, Letícia Weber, que pouco apareceu na campanha, Aécio rezou e ouviu o sermão do padre Fábio de Melo, amigo da família.
"Eu volto à minha terra, volto a São João Del Rei, a uma semana da eleição. Há trinta anos, eu saí daqui para iniciar a minha caminhada na vida pública. O tempo passou, os cabelos ficaram mais brancos, mas, no momento em que se aproxima a eleição, quero reiterar a minha crença de que, além das propostas, ideias e projetos, é fundamental resgatarmos na vida pública a ética, a decência e a generosidade", afirmou. "A vida pública não pode ser esse vale-tudo a que assistimos hoje. Trago os meus filhos aqui pela primeira vez para que eles aprendam desde cedo que o mais importante na vida é o que nós construímos a cada dia. Com os exemplos das nossas famílias, com as crenças de que não se deve mentir, não se deve roubar, deve se respeitar ao próximo.”
A cerimônia ocorreu na mesma igreja em que Aécio e o ex-presidente Tancredo Neves, seu avô, foram batizados. Ornamentada em ouro e com peças barrocas, a matriz de São João Del Rei fica a poucos passos do casarão da família, onde viveu Tancredo e a mulher, Dona Risoleta. O solar dos Neves, como ficou conhecido o imóvel, foi ponto de peregrinação dos mineiros neste domingo para ver o presidenciável.
Ao final da cerimônia, Aécio e Letícia, que se casaram em dezembro de 2013, posaram com os filhos. Emocionado, Aécio lembrou o nascimento prematuro dos gêmeos durante a campanha eleitoral — eles ficaram internados por sessenta dias. Ainda na porta da igreja, afirmou: "Não preciso nem esperar abrir as urnas para ver que sou um vitorioso. Basta olhar para os meus filhos, para a minha família e ver que eu já ganhei." 
O empresário Alexandre Accioly e a irmã de Letícia, Camila Weber, foram os padrinhos das crianças. A irmã de Aécio e principal coordenadora da campanha, Andreia Neves, e mãe do tucano, Inês Maria, acompanharam a cerimônia.
Palácio da Liberdade – Nas últimas semanas, Aécio viajou ao estado de Minas Gerais oito vezes para alavancar votos tanto para si como para o candidato tucano ao governo do estado, Pimenta da Veiga (PSDB), que está onze pontos atrás do petista Fernando Pimentel, segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira. "Estou encerrando essa etapa da nossa caminhada – apenas uma etapa, porque me reencontrarei com vocês ainda muitas vezes no segundo turno", disse. "Hoje faço profissão de fé dos valores que aprendi com meu avô Tancredo, andando por essas mesmas ruas e indo tantas vezes nessa mesma igreja onde meus filhos foram hoje batizados", disse.
Aécio entrou na disputa deste ano com a certeza de que chegaria ao segundo turno, mas a morte de Eduardo Campos (PSB) mudou o cenário: atrás de Marina Silva nas pesquisas, pode ser o primeiro tucano a ficar fora da reta final da eleição desde 1994. Por uma "reação histórica", Aécio tem dito apostar em uma "onda de razão". "Quero pedir aos mineiros e aos brasileiros nesses dias finais que nos separam de uma decisão tão importante que reflitam. Apenas reflitam no significado de cada candidatura e naquilo que cada uma pode oferecer para a sua vida, para a sua família", pediu o tucano, no ato político que encerrou a visita.
Fonte: VEJA

Corrupção na Petrobras pauta debate quente na TV

Eleições 2014

Corrupção na Petrobras pauta debate quente na TV

Na reta final da campanha, Dilma e Aécio travaram embates diretos em clima de tensão; em queda nas pesquisas, Marina esteve mais apagada

Talita Fernandes e Mariana Zylberkan
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A TV Record realizou neste domingo (28), na sede da emissora em São Paulo (SP), o debate com os candidatos à Presidência da República
A TV Record realizou neste domingo (28), na sede da emissora em São Paulo (SP), o debate com os candidatos à Presidência da República - Felipe Cotrim/VEJA.com
A uma semana das eleições, os três principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), protagonizaram o mais tenso debate na televisão até agora, promovido pela TV Record, com embates diretos e os escândalos de corrupção na Petrobras no centro das discussões. 
Visivelmente irritada, Dilma pediu direito de resposta quatro vezes e reclamou que estava impedida de rebater ataques laterais dos adversários. A emissora acatou somente uma queixa. A petista tentou usar seus trinta segundos extras dizer que demitiu o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que revelou em delação premiada um esquema de propina e desvios da estatal para políticos e partidos – inclusive a campanha de Dilma em 2010, conforme revelou a edição de VEJA desta semana. Dilma, entretanto, não conseguiu completar seu raciocínio porque estourou o tempo.
Numa estratégia arriscada, a própria presidente-candidata tentou virar o jogo e levar a Petrobras para o debate: ao questionar Aécio Neves, citou um discurso de 1997 no qual o então deputado disse que a privatização da estatal petroleira "estava no radar" do governo Fernando Henrique Cardoso. A pergunta resultou num tiro no pé. Na resposta, o tucano disparou: "Não vou privatizá-la, vou reestatizá-la, tirá-la das mãos do grupo que aí está. O coordenador de campanha do PT pediu recursos para sua campanha nesse esquema e não vejo em você uma reação de indignação".

A partir daí, a maioria dos candidatos aproveitou para manter o tema no centro do debate. Pastor Everaldo, do PSC, aproveitou para lembrar que a campanha de Dilma acionou a Justiça Eleitoral contra uma peça de propaganda do PSC que apontava a corrupção na Petrobras. E até o folclórico Levy Fidelix, do nanico PRTB, abriu mão de falar do seu aerotrem para alfinetar a presidente-candidata: "Já tivemos alguns escândalos recentes, como o mensalão e outros. Ao que tudo indica, o Youssef (o doleiro Alberto Youssef) vem com novos escândalos".

Dilma ainda tentou voltar ao tema da corrupção num embate direto com Aécio ao afirmar que "deu autonomia para a Polícia Federal prender Paulo Roberto Costa". Aécio devolveu, constrangendo a rival: "A senhora não tem que autorizar a Polícia Federal a prender ninguém porque isso é uma prerrogativa cosntitucional".
Marina – Quando teve a oportunidade de escolher para quem dirigiria sua pergunta, Dilma escolheu inicialmente o confronto com Marina, sempre repetindo a linha de sua propaganda na televisão de desconstrução da imagem da rival – que esteve mais apagada do que nos debates anteriores. "A senhora mudou de partido quatro vezes em três anos, mudou de posição em questões como a CLT e a homofobia. Qual foi sua posição em relação a CPMF?", disse. Na TV, o PT tem pregado que a ex-senadora disse ter votado a favor o antigo imposto do cheque, mas os registros do Legislativo apontam o contrário. Marina evocou o senador petista Eduardo Suplicy, falou em "oposição raivosa" e tentou revidar: "Mudei de partido para não mudar de ideais e de princípios". E Dilma emendou: "Não entendo como a senhora pode esquecer que votou quatro vezes contra a criação da CPMF".
Aécio também mostrou suas armas contra Marina: além de manter o tema da corrupção na Petrobras orbitando o debate para desgastar Dilma, lembrou diversas vezes o passado de Marina no PT. Ao falar sobre o combate à inflação no governo Fernando Henrique Cardoso, cutucou: "Lutávamos contra o PT e na época a senhora era do PT".
O tucano também aproveitou uma dobradinha com Pastor Everaldo para lembrar as lamentáveis declarações de Dilma defendendo diálogo com terroristas durante a Assembleia da ONU. "Foi um dos mais tristes episódios da política externa brasileira, para perplexidade de diplomatas. A presidente usou a Assembleia da ONU para fazer autoelogios ao seu governo e também propôs diálogo com o Estado Islâmico, que está cortando a cabeça de pessoas."
Fonte: VEJA