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12 setembro 2014

Tiroteio: Marina se faz de vítima, dispara Dilma

Eleições 2014

Dilma diz que Marina 'se faz de vítima' e Neca Setubal defende interesse de banqueiros

Presidente mantém a estratégia do PT de centrar fogo na adversária direta e amplificar o discurso do "terror" se o PT não seguir no poder

Marcela Mattos, de Brasília
Dilma Rousseff discursa durante encontro com reitores das universidades federais brasileiras no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF) - 11/09/2014
Dilma Rousseff discursa durante encontro com reitores das universidades federais brasileiras no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF) - 11/09/2014 (Evaristo Sá/AFP)
O tiroteio continua. Irritada com as declarações da adversária Marina Silva (PSB), segundo quem o PT manteve Paulo Roberto Costa durante doze anos na diretoria da Petrobras para "assaltar" os cofres da estatal, a presidente-candidata Dilma Rousseff chamou uma entrevista coletiva em Brasília para disparar contra a ex-senadora: “A candidata Marina ficou 27 anos no PT, todos os seus mandatos obteve graças ao PT. Nos doze anos aos quais ela se refere, em oito ela esteve no governo ou na bancada no Senado. A candidata tem de parar de usar as suas conveniências pessoais para fazer declaração”.
“Mudar de posição de cinco em cinco minutos não é certo e acredito que é importante que a gente saiba que um presidente sofre uma pressão muito grande. Cada vez que a gente abre um debate com a candidata Marina, ela se faz de vítima e diz que estamos atacando”, disse. Olhando atentamente para as câmeras, continuou, referindo à ex-senadora: “Candidata, debate político tem de ser feito. Ninguém está acima de qualquer suspeita. Na democracia somos todos iguais”.
“Eu acredito que não é possível as pessoas terem posições que não honrem a trajetória política e tentem se esconder atrás de falas. Acho que não medem o sentido de seus próprios atos durante a vida. A militância e a história do PT foram fundamentais para a candidata chegar aonde chegou”, disse a petista, classificando a posição de Marina como “leviana” e “inconsequente”.
Os ataques voltados à ex-senadora fazem parte da estratégia do PT de tentar minar a candidatura de Marina por meio da campanha do “terror”.  A equipe de Dilma tem usado maior parte do programa de rádio e televisão para desqualificar as propostas de Marina e fazer o eleitor acreditar que o governo dela traria profundos impactos econômicos, como o elevado índice de desemprego e a redução salarial. De acordo com o Datafolha, Marina segue encostada em Dilma nas pesquisas: tem 33% das intenções de voto, ante 36% da petista.
Banqueira – Nesta quinta, Dilma também tentou explicar a contradição em criticar a coordenadora da campanha de Marina, Neca Setubal, pelo fato de ela ser herdeira do banco Itau, já que a própria Neca apoiou auxiliou o prefeito Fernando Haddad e petistas. “Naquela época, víamos a Neca como educadora. Agora mudou porque ela está se comportando como banqueira. Não me diga que sou herdeira de um banco, defenda uma política que beneficie claramente os bancos e não estou fazendo papel de banqueira”, disse Dilma. “Eu não estou falando de educação nem de criança ou creche. Não dá para vestir duas roupas: uma é verdadeira e a outra é fantasia”, continuou, dizendo ainda que a “atitude” e a “postura” da Neca mudaram. E voltou a criticar a proposta de independência do Banco Central, uma das principais bandeiras da campanha de Marina: “Ninguém é independente no Brasil. Nenhum outro poder. Os bancos não terão independência. Isso não é característica da legislação brasileira”, afirmou.
Embora tenha destacado grande parte da equipe para avaliar os detalhes das propostas de Marina e selecionar pontos de conflito, Dilma sequer tem um programa de governo. Questionada, ela afirmou que a oficialização das propostas ainda não foi feita porque ela já tem “diretrizes e realizações” enquanto presidente. “Não adianta querer que eu tenha o mesmo padrão de programa de alguém que não está há quatro anos no governo. Eu já tenho programas prontos e absolutamente divulgados”, disse, citando o Mais Médicos e o Pronatec.
Fonte: VEJA

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