Buscar

04 abril 2014

Ativista diz estar 'feliz' com revisão do Ipea, mas afirma querer estupro zero

Ativista diz estar 'feliz' com revisão do Ipea, mas afirma querer estupro zero

Instituto do governo informa que errou ao divulgar pesquisa sobre estupros.
Segundo Ipea, 65% concordavam com ataque a mulher com roupa curta.


A jornalista Nana Queiroz, de Brasília, que iniciou o protesto "Eu não mereço ser estuprada", disse nesta sexta (4) estar "feliz" porque o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) errou os números da pesquisa segundo a qual 65,1% dos brasileiros concordam inteiramente ou parcialmente com a frase "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". De acordo com o instituto, o percentual correto é 26%.
A ativista Nana Queiroz, que criou a campanha 'Eu não mereço ser estuprada', na casa dela, em Brasília  (Foto: TV Globo/reprodução)A ativista Nana Queiroz, que criou a campanha "Eu não mereço ser estuprada", na casa dela, em Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)
“Estamos muito felizes que eles tenham errado, mas 26% ainda é muioto alto. E isso só mostra o quanto é necessário manter o movimento, e vamos continuar trabalhando até que este número seja de 0%”, afirma Nana.

O protesto se espalhou pelas redes sociais, com fotos de homens e mulheres reproduzindo a frase em fotos pessoais. Pelo Twitter, ela disse que foi ameaçada de estupro devido à repercussão da campanha e recebeu a solidariedade de Dilma.
“Tudo continua igual. A gente continua tendo o mesmo objetivo. A vítima não tem culpa. A gente vai mudar a cabeça desses 26%.”
Em nota divulgada nesta sexta, o instituto pede desculpas e informa que "o erro relevante" foi motivado por troca de gráficos que inverteu resultados de duas das questões – "Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar" e "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas".
Estamos muito felizes que eles tenham errado, mas 26% ainda é muito alto. E isso só mostra o quanto é necessário manter o movimento, e vamos continuar trabalhando até que este número seja de 0%"
Nana Queiroz, jornalista
"Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias", diz o texto da nota.
Apesar do erro, a nota do Ipea afirma que as conclusões gerais da pesquisa "continuam válidas". "Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres", afirmou o instituto.
Nana Queiroz (Foto: Reprodução/Fantástico)Nana Queiroz com frase contra estupro escrita nos
braços (Foto: Reprodução/Fantástico)
Intitulada “Tolerância social à violência contra as mulheres”, teve ampla repercussão. A presidente Dilma Rousseff chegou a comentar por meio do microblog Twitter. Com base nos dados da pesquisa, ela disse que o país tem "muito o que avançar no combate à violência contra a mulher".
O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, pediu exoneração assim que o erro foi constatado, informou o instituto.
Segundo o Ipea, a pesquisa ouviu 3.810 pessoas entre maio e junho do ano passado em 212 cidades. Do total de entrevistados, 66,5% são mulheres.
Fonte: G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário