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26 março 2014

ATUAÇÃO MARCANTE Três cearenses são agraciados com a Medalha da Abolição

ATUAÇÃO MARCANTE

Três cearenses são agraciados com a Medalha da Abolição

26.03.2014

Homenagem reconhece trabalho exemplar de personalidades na área socioeconômica, educacional e cultural


Luciana Dummar, Airton Queiroz e Sérvulo Esmeraldo
Luciana Dummar, Airton Queiroz e Sérvulo Esmeraldo receberam a honraria das mãos do governador Cid Gomes
FOTO: TUNO VIEIRA
Airton Queiroz
O chanceler Airton Queiroz ressaltou os avanços do Estado do Ceará, nas mais diversas áreas
FOTO: BRUNO GOMES
Cid Gomes
Cid Gomes destacou os agraciados como exemplos a serem apontados às novas gerações
FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES
O chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor), Airton Queiroz, o jornalista Demócrito Dummar (in memoriam) e o artista plástico Sérvulo Esmeraldo foram, ontem, agraciados com a Medalha da Abolição, maior comenda do Estado do Ceará. Entregue diretamente pelas mãos do governador do Estado, Cid Ferreira Gomes, na sede do governo, o Palácio da Abolição, a honraria representou a comemoração dos 130 anos da libertação dos escravos no Ceará.
A Medalha da Abolição reconhece a atuação marcante e exemplar de cearenses na área socioeconômica, educacional e cultural. O governador Cid Gomes ressaltou a importância e protagonismo dos agraciados na história do Ceará. "Se vivessem em 1884, certamente seriam abolicionistas", opinou. Em 25 de março de 1884, o Ceará pôs fim à escravatura em seu território, em ato pioneiro no Brasil, quatro anos antes da Lei Áurea devolver a liberdade aos escravos de todo o País.
O primeiro a ser agraciado com a Medalha foi o chanceler Airton Queiroz. Nasceu em Fortaleza, Capital do Estado do Ceará, em 14 de agosto de 1946, primogênito do casal Edson Queiroz e Yolanda Vidal Queiroz, que teve seis filhos. É viúvo de Celina Leal Queiroz, de cujo matrimônio nasceram os filhos Patrícia e Edson Neto, os quais lhe deram cinco netos.
Fluente em inglês e francês, é graduado em Ciências Econômicas, tendo iniciado o curso na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e concluído o bacharelado na Universidade Federal do Ceará, em 1970. Ainda cursando a Faculdade de Economia, começou a trabalhar nas empresas do pai, que lhe ministrou treinamento e orientação profissional. A experiência adquirida nesse período o habilitou a assumir a Direção Executiva do Grupo Edson Queiroz, em junho de 1982, com apenas 36 anos, em decorrência da morte prematura de seu genitor.
Desenvolvedor
Com o apoio de sua mãe, D. Yolanda Queiroz, ele consolidou e multiplicou os negócios do conglomerado empresarial que figura entre os maiores do Brasil e oferece mais de 15 mil empregos diretos, atuando em setores variados em que se destacam: a educação superior, a distribuição de gás de cozinha, água mineral e refrigerantes, a indústria de eletrodomésticos, castanha de caju, agropecuária e o grupo de comunicação, que engloba rádio, televisão e jornal.
Em seu discurso, o chanceler Airton Queiroz agradeceu a homenagem e destacou a importância do trabalho como desenvolvedor do Estado. Ressaltou, ainda, a representatividade dos 130 anos da libertação dos escravos no Estado.
O jornalista Demócrito Dummar, falecido em 25 de abril de 2008, foi representado pela filha, Luciana Alcântara Dummar. Ao receber a Medalha da Abolição, a filha do agraciado disse estar "segurando a mão de meu pai", ao tocar a honraria. "Agradeço a coincidência de termos aqui (também sendo agraciados) dois homens tão conectos, dois amigos de meu pai", frisou, jubilosa pela companhia do chanceler e do artista plástico na homenagem. Demócrito, nascido em 12 de março de 1945, em Fortaleza, assumiu a presidência do O Povo em 1985, jornal fundado por seu avô, Demócrito Rocha, em 7 de janeiro de 1928. Foi um dos fundadores da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e duas vezes presidente da Associação Cearense de Rádio e Televisão (Acert).

O artista plástico Sérvulo Esmeraldo, o terceiro agraciado da noite, ressaltou a amizade que cultivou com Demócrito Dummar. Sérvulo enalteceu, também a importância da Unifor para o País, frisando o trabalho de Airton Queiroz à sua frente desde o falecimento do pai, Edson Queiroz. Esmeraldo nasceu no Crato, em 1929. Escultor, gravador, ilustrador e pintor, trabalhou em projetos de arte pública, incluindo esculturas monumentais na paisagem urbana de Fortaleza, cidade onde vive e trabalha desde 1980, e que hoje abriga cerca de 40 de suas esculturas urbanas.
A cerimônia reuniu autoridades políticas, jurídicas e empresarial do Estado do Ceará.
Construção de uma sociedade mais justa
"É com muita honra que figuro entre uma das personalidades para receber esta comenda que relembra o pioneiro feito histórico cearense de libertação dos escravos há 130 anos. Reitero minha satisfação ao ser contemplado com tão alto grau de reconhecimento.
O esforço de todos, governo, empresários e sociedade civil, se estende por mais de um século na busca de uma vida com dignidade, sem distinção de raça, credo ou nível econômico. É isto que torna o Ceará destaque na economia nacional. É notório nosso avanço em diversas áreas, como a educação, a geração de empregos e a capacidade produtiva de nosso povo.
Reforço a participação do empresariado nesta evolução, e o seu contínuo esforço em valorizar seus trabalhadores.
De minha parte, posso dizer que busco na labuta diária evidenciar os talentos cearenses alinhado ao compromisso na construção de uma sociedade mais justa.
Hoje, sinto-me representando os cearenses que fazem do trabalho uma ferramenta para a construção de um lugar melhor para todos.
Garanto honrar cada rosto e mão suada como tenho feito, hoje e sempre.
Agradeço ao governo do Estado e a todos os presentes".
"Uma história que precisamos ecoar"
"O Ceará tem, como herança, um passado glorioso, o que nos deve inspirar a honrar a nossa história e participar da construção de um futuro igualmente luminoso. Exatamente o dia de hoje, 25 de março, marca um feito memorável, que nos enobrece e enche de orgulho. Há 130 anos, o Ceará se projetava pioneiramente, perante toda a Nação brasileira, como a terra da liberdade, o Estado que abolia a infâmia do trabalho escravo em seu território.
Já em 1881, três anos antes, os jangadeiros liderados por Francisco José do Nascimento - o Dragão do Mar - decretavam solenemente: "No porto do Ceará, não se embarcam mais escravos!" Era o espírito libertário do nosso povo manifestando-se, de uma forma contundente, contra o comércio de escravos.
Em 1º de janeiro de 1883, o movimento emancipador liderado pela Sociedade Cearense Libertadora consegue a alforria de todos os escravos da vila de Acarape, hoje Redenção. No ano seguinte, o presidente da Província declara o fim da escravatura no território cearense. Aflorava, nessa cadeia de eventos históricos, a nossa característica de povo forte, lutador e amante da liberdade. Eis aí, senhoras e senhores, uma tradição que devemos preservar. Essa é uma história que precisamos ecoar, incansavelmente, para que as novas gerações se orientem pelo mesmo caminho e revelem a mesma nobreza dos nossos antepassados.
A Medalha da Abolição, a mais alta comenda outorgada pelo Governo do Estado, vem, a cada ano, renovar na sociedade a lembrança de 1884. Hoje, é claro, vivemos uma democracia, duramente reconquistada, e usufruímos de liberdade plena. Já não há senzalas nem calabouços, nem correntes a serem quebradas. Há, isto sim, um novo País a edificar, empreitada que requer o envolvimento de governos e sociedade, com todas as nossas forças vivas trabalhando lado a lado, orientadas no sentido de oferecermos, aos nossos filhos, um Brasil próspero e, sobretudo, um país justo, fraterno, onde não haja espaço para as desigualdades absurdas que ainda separam as classes sociais e as regiões geoeconômicas.
Nos últimos anos, o Estado do Ceará, crescendo mais rapidamente que o resto do País, experimentou significativo avanço. Com determinação, muitas vezes com ousadia, mas sempre com uma enorme reserva de responsabilidade, investimos em áreas fundamentais, aquelas que deflagram o desenvolvimento e que terminam fazendo a diferença na qualidade de vida da população.
Atentos ao compromisso social, confiantes na coesão do nosso segmento empresarial, na força da classe trabalhadora, na criatividade dos nossos profissionais, no engenho e arte que habitam a alma do povo cearense, apoiados em tudo isso, fizemos o que precisava ser feito e que por tantas décadas havia sido protelado. Nem as dificuldades conjunturais que turvaram o panorama internacional, nem os longos períodos de seca, nem a inércia dos pessimistas, nada conseguiu refrear o avanço das máquinas que estão transformando o Ceará e colocando-o, de vez, no Século XXI.
Ilustrativo das mudanças no cenário foi a inauguração, no Dia de São José, nosso Padroeiro, e com a presença da presidenta Dilma Rousseff, de mais um trecho do Eixão das Águas, gigantesca obra que veio garantir segurança hídrica, por 30 anos, para a Região Metropolitana de Fortaleza e para os empreendimentos instalados no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
As obras estruturantes incluem desde a ampliação do porto do Pecém até a pavimentação, duplicação, restauração e construção de 2 mil quilômetros de estradas em todas as regiões do Estado. Somam-se, a este balanço, os novos aeroportos de Aracati, Camocim e Tauá, bem como a ampliação do aeroporto de Juazeiro do Norte; os parques eólicos e o metrô de Fortaleza, Sobral e Cariri. O magnífico Centro de Eventos aí está, ajudando a atrair mais e mais visitantes para a nossa cidade.
Na área da saúde, os ganhos resultam de uma decisão política corajosa, qual seja, edificar, no Ceará, a melhor rede de saúde pública do País. Os resultados são palpáveis: os Hospitais Regionais de Sobral e Juazeiro, com equipamentos os mais sofisticados, trazem a marca desse compromisso, também ilustrado pelas 18 Policlínicas, 18 Centros de Especialidades Odontológicas e 19 Unidades de Pronto Atendimento.
Enquanto isto, as Escolas Estaduais de Educação Profissional abrigam mais de 30 mil alunos, em 70 municípios do Estado, devendo o número desses estabelecimentos chegar a 140 no corrente ano. Neles, os jovens deparam-se com um currículo inovador, que objetiva a capacitação cidadã, preparação para o trabalho, empreendedorismo e aprendizagem cooperativa. Está em curso, sem dúvida, na área do Ensino, uma revolução pacífica, cujos resultados se refletirão positivamente, dentro em breve, em todos os setores da sociedade, sobretudo abrindo perspectivas novas para os jovens - no mercado de trabalho, na vida social, nos esportes.
A política de segurança também exemplifica o modo como encaramos o desafio de governar com equidade, lançando o olhar sobre o Ceará inteiro. O elenco de iniciativas nessa área resultou, sete anos atrás, na criação do programa Ronda do Quarteirão, hoje estendido a todas as cidades com mais de 50 mil habitantes; implantação do Pró-Cidadania, que estimula a criação de guardas civis nos municípios com população menor; instalação de novas delegacias e unidades do Ciops; ampliação dos efetivos policiais; e construção de novas casas de detenção, dentre outras iniciativas. Podemos assegurar que, em toda a história do Ceará, jamais a segurança pública recebeu tantos recursos e experimentou reforço tão importante como nos últimos anos.
Senhoras e senhores, o Ceará cresce e realça, no contexto nacional, porque aprendemos a direcionar nossas energias para iniciativas realmente transformadoras e a reconhecer o mérito dos que, de fato, contribuem para fazer, desde pedaço do Brasil, uma terra de oportunidades e de dignidade.
Não é outro o motivo do feliz encontro desta noite. Aqui estamos para dizer a três cearenses ilustres - um deles, presente apenas em nossa memória - que os admiramos imensamente e que os consideramos exemplos a serem apontados às novas gerações.
Chanceler Airton Queiroz, artista plástico Sérvulo Esmeraldo, familiares do jornalista Demócrito Dummar, a Medalha da Abolição, que hoje lhes é entregue, tem o condão de traduzir sentimentos. Ela fala de nossa admiração pelo empresário, o artista, o homem da comunicação, que ajudaram a mudar o Ceará com sua Universidade, suas indústrias, seus jornais e emissoras de rádio e TV, suas esculturas tão inspiradas e tão inspiradoras. O Ceará ficou melhor - e mais belo - depois que vocês passaram a atuar profissionalmente no meio do seu povo.
É notório, na vida do chanceler Airton Queiroz, seu gênio empreendedor, herança que lhe transmitiu o saudoso Edson Queiroz, assim como é pública e manifesta sua sensibilidade social e gosto pelas artes. É também do nosso conhecimento ser o Chanceler um dedicado cultivador de orquídeas, o que fala do seu amor à natureza. Nosso homenageado assumiu muito cedo graves responsabilidades, mas, ao lado de dona Yolanda, presença inspiradora, e de dona Celina Queiroz, de saudosa memória, soube enfrentar e vencer os desafios do mundo empresarial.
Graças a seu talento e determinação, o grupo empresarial que lidera é hoje um dos motores da economia do nosso Estado, gerando impostos e milhares de empregos. Digno de todos os encômios é o cuidado com que o chanceler Airton Queiroz cerca a Universidade de Fortaleza, instituição modelo, que, em sucessivas ocasiões, foi considerada a Melhor Universidade Privada do Norte e Nordeste do País.
Sérvulo Esmeraldo traz a Arte para este recinto. Ele é a própria Arte, encarna o espírito criador, a verve da nossa gente, que tantos artistas tem oferecido aos diferentes cenários das Artes em nosso País, seja através da pintura, da escultura, da música, da literatura, do teatro, aqui incluindo-se os nossos talentosos humoristas.
De José de Alencar a Patativa do Assaré, de Fagner a Chico Anysio, para citar apenas alguns dos nossos mais consagrados artistas, o Ceará e um celeiro em que todas as Artes crescem e florescem. Sérvulo Esmeraldo veio do Crato e, pacientemente, em um longo aprendizado, que o levou ao ateliê de grandes mestres, lapidou sua criação artística, tornando-se ele próprio um mestre na arte da escultura e da gravura. Sérvulo reinventa as formas e, com isto, empresta beleza à matéria. Beleza que ele transfere para os jardins, os parques, os espaços públicos, onde suas criações interagem com os elementos da natureza. E enfeitam a vida.
Falar de Demócrito Dummar é dar alento à saudade. Uma saudade mitigada pelas boas lembranças que nos deixou o herdeiro de Demócrito Rocha, com seu jeito amável e envolvente de se relacionar com as pessoas, seu otimismo contagiante, sua criatividade e empreendedorismo, sua capacidade de inovar e de aprimorar o que já parecia perfeito.
O desafio de Demócrito era conduzir uma empresa que, ao mesmo tempo, se constituía em patrimônio do povo cearense. Jornal de longa tradição, "O Povo" trazia, como marca d'água, a figura do seu combativo criador, um jornalista que fez história na imprensa local, e um poeta inspirado, que deixou versos imortais. Demócrito, porém, revelou talento e ousadia, inovou, expandiu a empresa para a mídia eletrônica e, sempre inspirado numa inabalável consciência cidadã, continuou entregando aos cearenses um jornal profundamente comprometido com as causas mais legítimas do nosso povo.
Senhoras e senhores, estes são os homenageados, em 2014, com a Medalha da Abolição. A comenda é entregue como reconhecimento de todos os cearenses aos incontáveis méritos que os elevaram a um patamar de merecido destaque em nossa sociedade. Esta é uma forma de aplaudir e dizer que temos muito orgulho de nossa concidadania.
Airton Queiroz, Sérvulo Esmeraldo e Demócrito Dummar dignificam a comenda que aqui foi entregue. Guerreiros, talentosos, destemidos, sem dúvida pessoas à frente do seu tempo, se vivessem nos idos de 1884, com certeza teriam sido abolicionistas".
Fonte: Diário

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