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12 fevereiro 2014

Quero recuperar minha dignidade roubada, diz preso injustamente que contraiu HIV

Quero recuperar minha dignidade roubada, diz preso injustamente que contraiu HIV

Ele passou três anos atrás das grades por crime que nunca cometeu e luta por indenização


Aos poucos a vida de Heberson Lima de Oliveira, 30 anos, vai
tomando um rumo diferente. Preso em 2003 suspeito de estuprar uma menina de
nove anos, ele ficou três anos atrás das grades até que teve a inocência
provada. Nesse tempo dentro do presídio, foi estuprado e contraiu HIV. 

 

Em janeiro deste ano, o R7 publicou uma matéria sobre
Heberson em que contava que o drama vivido por ele e a luta para que o Estado o
indenize.  Na quinta-feira (11), a
reportagem teve a chance de entrevistá-lo. Heberson está trabalhando e pretende
retomar os estudos. Para ele, ter a sua história divulgada foi um grande passo
para a mudança.  

 

— Eu vejo tudo isso que me aconteceu como uma verdadeira
tragédia, mas consegui dar uma virada. Eu quero recuperar toda a minha
dignidade roubada e estou me esforçando para isso. Estou trabalhando, quero
estudar e quero dar aos meus filhos um pouco de respeito.   

 

Texto e entrevista: Sylvia Albuquerque, do R7
Aos poucos a vida de Heberson Lima de Oliveira, 30 anos, vai tomando um rumo diferente. Preso em 2003 suspeito de estuprar uma menina de nove anos, ele ficou três anos atrás das grades até que teve a inocência provada. Nesse tempo dentro do presídio, foi estuprado e contraiu HIV.   

Em janeiro deste ano, o R7 publicou uma matéria sobre Heberson em que contava que o drama vivido por ele e a luta para que o Estado o indenize.  Na quinta-feira (11), a reportagem teve a chance de entrevistá-lo. Heberson está trabalhando e pretende retomar os estudos. Para ele, ter a sua história divulgada foi um grande passo para a mudança.     

— Eu vejo tudo isso que me aconteceu como uma verdadeira tragédia, mas consegui dar uma virada. Eu quero recuperar toda a minha dignidade roubada e estou me esforçando para isso. Estou trabalhando, quero estudar e quero dar aos meus filhos um pouco de respeito.      
Heberson deixou a Unidade Prisional do Puraquequara, em Manaus (AM), em 2006.
 Ele nunca foi julgado e nem condenado. Tudo só foi esclarecido durante 
uma visita ao presídio feita pela defensora pública Ilmair Siqueira. Ela
 conversou com o rapaz e acreditou na versão apresentada sobre os fatos.
 A garota foi abusada no bairro Nova Floresta, zona leste da capital. O 
pai da vítima acusou Heberson porque teria tido um desentendimento com 
ele. A delegada pediu a prisão baseada na indicação do pai, mas a investigação feita depois apontou que outro homem cometeu o crime.Para Heberson, aceitar todo esse trauma foi muito difícil. Quando saiu da prisão, catava latinha para sustentar o vício que adquiriu dentro do presídio. — Eu estava nas ruas e via as pessoas saindo para trabalhar, para ter uma vida normal e eu queria aquilo, mas não tinha mais esperanças. Agora, eu quero conquistar tudo isso de novo
Heberson deixou a Unidade Prisional do Puraquequara, em Manaus (AM), em 2006. Ele nunca foi julgado e nem condenado. Tudo só foi esclarecido durante uma visita ao presídio feita pela defensora pública Ilmair Siqueira. Ela conversou com o rapaz e acreditou na versão apresentada sobre os fatos. A garota foi abusada no bairro Nova Floresta, zona leste da capital. O pai da vítima acusou Heberson porque teria tido um desentendimento com ele. A delegada pediu a prisão baseada na indicação do pai, mas a investigação feita depois apontou que outro homem cometeu o crime.

Para Heberson, aceitar todo esse trauma foi muito difícil. Quando saiu da prisão, catava latinha para sustentar o vício que adquiriu dentro do presídio. 

— Eu estava nas ruas e via as pessoas saindo para trabalhar, para ter uma vida normal e eu queria aquilo, mas não tinha mais esperanças. Agora, eu quero conquistar tudo isso de novo

O advogado João Batista do Nascimento assumiu de forma voluntária o caso
 de Heberson. Ele montou um grupo chamado ‘Pela dignidade de Heberson 
Oliveira’ e conseguiu tratamento psicológico e médico para o rapaz. Na imagem, ele participa de uma reunião na Defensoria Pública, coordenada pela defensora Ilmair Faria, com a Secretaria de 
Direitos Humanos da Presidência da República, para tratar sobre a ação de indenização que tramita na Justiça. A ação movida desde 2011 pede uma indenização de cerca de
 R$ 170 mil, valor nunca pago porque o Estado considerou alto para o 
caso.

O advogado João Batista do Nascimento assumiu de forma voluntária o caso de Heberson. Ele montou um grupo chamado ‘Pela dignidade de Heberson Oliveira’ e conseguiu tratamento psicológico e médico para o rapaz. 

Na imagem, ele participa de uma reunião na Defensoria Pública, coordenada pela defensora Ilmair Faria, com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, para tratar sobre a ação de indenização que tramita na Justiça. A ação movida desde 2011 pede uma indenização de cerca de R$ 170 mil, valor nunca pago porque o Estado considerou alto para o caso.

Segundo a defensora, o primeiro erro do processo foi cometido pela Polícia 
Civil. O segundo foi da Justiça por nunca ter 
julgado o caso durante os três anos em que o rapaz passou no presídio, 
sendo que a lei determina que a sentença seja dada em até 90 dias. Um 
relatório foi encaminhado a OEA (Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos) e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 
pedindo atenção ao caso
Segundo a defensora, o primeiro erro do processo foi cometido pela Polícia Civil. O segundo foi da Justiça por nunca ter julgado o caso durante os três anos em que o rapaz passou no presídio, sendo que a lei determina que a sentença seja dada em até 90 dias. Um relatório foi encaminhado a OEA (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República pedindo atenção ao caso

Heberson trabalha de ajudante de serviços gerais no turno da madrugada. No dia da entrevista, ele afirmou que ainda não havia recebido o primeiro pagamento, mas que já estava cheio de planos. — Agora eu posso levar meus filhos para comer um sorvete, passear. Eu quero ajeitar toda a minha vida, estar com tudo em ordem para quem sabe um dia arrumar uma companheira

Heberson trabalha de ajudante de serviços gerais no turno da madrugada. No dia da entrevista, ele afirmou que ainda não havia recebido o primeiro pagamento, mas que já estava cheio de planos. 

— Agora eu posso levar meus filhos para comer um sorvete, passear. Eu quero ajeitar toda a minha vida, estar com tudo em ordem para quem sabe um dia arrumar uma companheira.

Texto e entrevista: Sylvia Albuquerque, do R7

Fonte: R7

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